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segunda-feira, 13 de março de 2017

São José

Alisson Oliveira. cm

São Mateus o chama e define também: —O Justo. Joseph cum esset justas... José como era justo...
Não simplesmente a virtude cardeal da justiça porém muito mais amplo a virtude em grau sublime e
heroico jamais visto ou alcançado (depois de Maria Ssma) de se conformar a Lei de Deus.
“José é chamado de Justo porque tem a perfeição de todas as virtudes”
São Jerônimo, Homilia 3, in Luccam.
O MAIOR DOS SANTOS
Depois de Maria, José. É sem dúvida o maior dos santos, pois recebeu de Deus maiores graças e
desempenhou a maior e mais sublime missão na terra. Pai adotivo do Filho de Deus humanado e esposo
da Mãe de Deus. Poderia alguém na terra, depois de Maria excedê-lo na gloria da santidade? Quem
teve maior e mais sublime missão a cumprir na terra?
Sem dúvida, dos sete dons do Espirito Santo, os que São José mais deve ser exercitado, em razão
de sua função, foram o dom do conselho e o da fortaleza, para dirigir, governar e defender a Sagrada
Família entre tantas privações e adversidades, sem perder de vista um só momento o supremo sacrifício
da Cruz.

S. José excede a dignidade dos Apóstolos. Estes foram ministros e dispensadores dos mistérios de
Deus, vasos de eleição, colunas da fé, mensageiros da palavra divina. S. José foi maior que Moises em
santidade, a São João Batista, S. Pedro e S. Paulo, bem como também aos maiores mártires e doutores
da Igreja. Nenhum santo teve como Ele privilégios tão singulares e viveu mais unido a Deus e mais
abrasado na Divina Caridade. Pelas relações com Jesus e Maria Santíssima é o maior dos santos, e
precede a todos os eleitos no culto que lhe prestamos.
Pai adotivo de Jesus
A maior glória de São José, a mais rica pérola do seu coroa, o título e privilégio que o faz o maior
dos Santos é o de Pai do Filho de Deus humanado. Todos os Santos, se gloriam de serem chamados
servos de Deus, servos de Jesus Cristo. São José, e só ele, foi chamado Pai do Salvador, Pai de Jesus
Cristo. Entre os títulos de glória do Santo, este é sem dúvida o maior.
Os nazarenos, diz o Evangelista, tinha José por pai de Jesus. Assim dizia e julgava o povo
ignorante do adorável mistério da Encarnação do Verbo. Os Evangelistas, que narraram e conheceram
o mistério da Encarnação e a Divindade de Jesus, chamavam a José pai de Jesus. E Jesus mil vezes o
havia de chamar Pai, e a ele esteve sujeito e obediente trinta anos desde Belém.
São José, pois, é e deve ser chamado Pai de Jesus, Pai virginal, não Pai carnal, Pai putativo,
genealógico, jurídico ou legal, adotivo, eletivo, nutrício, virginal, afetivo e de ofício de Jesus Cristo e
segundo a geração humana, porque Maria Imaculada concebeu, e foi Mãe de Jesus por obra e graça do
Espírito Santo. Eis a sua glória: Pai de Jesus.
Qual graça extraordinária para o São José de ver, dar ordens e prover tudo daquilo que Nosso
Senhor necessitava... Ah que graça extraordinária, S. José de que como por um véu, não brilhar como
o Sol do meio dia na Terra, a exemplo de Moisés (Ex 34, 29-35) ao descer do monte com as tábuas da
Lei nas mãos, brilhava a sua face que os hebreus nem conseguiam olhar para ele.
O esposo virginal de Maria Santíssima
“ José, filho de Davi, não temas receber em tua casa Maria, tua esposa” Mt 1,20.
“José... fez como lhe tinha mandado o anjo do Senhor, e recebeu em sua casa Maria, sua
esposa” Mt 1,24.
Foi José verdadeiro e legítimo esposo de Maria, de um matrimônio, perfeitamente virginal,
maravilhosamente fiel, milagrosa e infinitamente fecundo.
E formou São José semelhante a Maria. José foi formado à semelhança da Virgem, sua esposa. O
céu, escolheu a São José como o único digno de um tal tesouro: —Maria.
Para ser esposo da Mãe de Deus, que pureza e que santidade não havia de ter São José! E se Deus
o escolheu entre os homens o mais semelhante à mais perfeita das criaturas, sua santíssima Esposa.
Para lembrar os dois títulos de maior glória que o tornam o maior e o mais singular dos Santos — Pai
adotivo de Jesus Cristo e Esposo de Maria Imaculada.
E aqui fica a resposta à pergunta: Quem é São José? Virum Mariae de quanatus est Jesus. — É o esposo
de Maria, diz o Evangelista, da qual nasceu Jesus.
São José, príncipe da casa real de Davi
São José era da nobre estirpe, como nos relata os Evangelhos de S. Mateus 1, 1-17 e S. Lucas 3, 23-28. “Genealogia de Jesus Cristo, filho de Davi, filho de Abraão. Obed gerou Jessé. Jessé gerou o rei Davi. O rei Davi gerou Salomão, daquela que fora mulher de Urias. Salomão gerou Roboão. Roboão gerou Abias. Abias gerou Asa. Asa gerou Josafá. Josafá gerou Jorão... Eleazar gerou Matã. Matã gerou Jacó. Jacó gerou José, esposo de Maria, da qual nasceu Jesus, que é chamado Cristo. S. Mateus 1, 1-17


“ não era apropriado que o Rei dos reis convivesse, na sua intimidade, com quem não fosse nobre nem de espirito e de sangue. Não convinha que Aquele a Quem servem milhões de anjos escolhesse como pai adotivo alguém que não fosse de nobre linhagem, nem que a Virgem, escolhida como Mãe de Deus, á qual prestam homenagem todos os habitantes da Jerusalém terrestre, fosse casada com homem de origem plebeia”. Suma dos dons de São José.
Segundo São Mateus mostra as gerações de Davi até Cristo, mudando assim em S. José para indica-lo como pai adotivo e não carnal de Nosso Senhor.
Assim as promessas a dinastia de Davi, na qual S. José tem a glória de pertencer, a um título muito especial: foi o último e não menor e transmitiu a Nosso Senhor a herança davídica.
Prefiguração no Antigo Testamento
Uma das figuras mui própria, em que os Santos Padres reconhecem haver sido misteriosamente representado São José, foi o antigo Patriarca José, Vice-rei do Egito, porque nele se cumpriram todas as grandezas. Sonhara ele que o Sol, a Lua e as Estrelas o adoravam e foi nisto um retrato figurativo da obediência que Jesus e Maria, verdadeiro Sol e verdadeira Lua, havia de ter a São José, e o respeito que os mais santos, simbolizados nas estrelas, lhe tributam. Chamou-se também a José o salvador do mundo, porque proveu de mantimento e livrou da fome não só o Egito, mas toda a terra em torno; e tudo isto foi anuncio de que o glorioso São José na lei da graça havia de ser a quem todo o gênero humano devesse a salvação, pois salvou o Redentor, livrando-o da tirania de Herodes, que o queria matar, quando menino, e ele foi também o que guardou o pão da vida de Jesus Cristo, que é o sustento do universo.
“Ide a José” Gn 41,55.
A virgindade de São José
A virgindade perpétua é outra coroa de glória do santo Patriarca. A Escritura nada fala da virgindade de S. José, mas a Tradição nos guarda e garante esta opinião com segurança. A Tradição teológica, escreve o Pe. Cantera, reprova todos os erros contra esta doutrina e afirma unanemente a Virgindade de S. José, é uma verdade teologicamente, da qual não é lícito a nenhum cristão duvidar. É célebre a resposta de S. Jerônimo ao herege Helvídio: Dizes, que Maria não ficou Virgem. Pois não só defendo e afirmo a Virgindade de Maria, como digo ainda mais: por Maria foi Virgem também S. José(2). (1) Cantera - San José en el Plano Divino (2) Adv. Helv. n° 19.
Dia de São José
Por isso, hoje é dia de festa para a Fé. O culto a São José começou no Oriente, passando mais tarde para o Ocidente, onde hoje alcança grande popularidade.
Pio IX estendeu a festa do Patrocínio de São José a toda a Igreja com o decreto "inclytus Patriarcha Joseph", de 10 de setembro de 1847. Declarou solenemente o Bem-aventurado José “Patrono da Igreja Católica”, e ordenamos que a sua festa de 19 de março, dupla de primeira classe, todavia sem oitava por causa da Quaresma, fosse celebrada no mundo inteiro
São José e Santa Teresa de Ávila
“Tomei por advogado e senhor ao glorioso São José e encomendei-me muito a ele. Vi claro que, tanto desta necessidade como de outras maiores, de perder a honra e perder a alma, este pai e senhor meu me livrou melhor do que eu lhe saberia pedir. Não me recordo, até agora, de lhe haver suplicado nada que não tenha deixado de fazer.
É coisa que espanta (que maravilha) as grandes mercês que me tem feito Deus por meio deste bem-aventurado santo, dos perigos que me tem livrado, tanto de corpo quanto de alma. A outros santos parece
que o Senhor lhes deu graça para socorrer em uma necessidade; a este glorioso santo tenho experiência que socorre em todas e que quer o Senhor dar-nos a entender que assim como esteve submetido a ele na terra, que como tinha nome de pai - sendo custódio - podia mandar Nele, também no céu faz quanto lhe pedem. E isto o tem comprovado algumas pessoas, a quem eu dizia que se encomendassem a ele, também por experiência; e ainda há muitas que começaram a ter-lhe devoção havendo experimentando esta verdade.
Queria eu persuadir a todos para que fossem devotos deste glorioso santo, pela grande experiência que tenho dos bens que ele alcança de Deus. Não conheci pessoa que deveras lhe seja devota e faça particulares serviços, que não a vejamos mais adiantada nas virtudes porque muito aproveitam as almas que a ele se encomendam. Parece-me, já há alguns anos, que a cada ano, em seu dia, lhe peço uma coisa e sempre a vejo cumprida. Se o pedido segue meio torcido, ele o endereça para o meu bem.
Se fosse uma pessoa que tivesse autoridade no escrever, de bom grado me estenderia em dizer muito a miúdo as mercês que este glorioso santo tem feito a mim e a outras pessoas. Só peço, pelo amor de Deus, que o prove quem não me crê e verá por experiência o grande bem que é o encomendar-se a este glorioso Patriarca e ter-lhe devoção.
Pessoas de oração, em especial, sempre deveriam ser a ele afeiçoadas. Não sei como se pode pensar na Rainha dos Anjos, no tempo que passou com o Menino Jesus, e não se dar graças a São José pelo bem com o qual lhes ajudou. Quem não encontrar mestre que lhe ensine oração, tome este glorioso santo por mestre e não errará no caminho”.3
Invoquemos o nosso Anjo da Guarda para que nos ajude a honrar ao nosso grande Santo Protetor, que é também Príncipe dos Anjos e Arcanjos. São José fora constituído também, no Reino de Deus, o grande Príncipe, e lhe foram dadas as maiores e mais extraordinárias prerrogativas que o fizeram o Príncipe sem igual, acima de todos os súditos do Rei dos reis depois de Maria Santíssima, Rainha dos céus e da terra. E nesta singular e privilegiada missão, quem pode contentar a supremacia de José sobre todos os Anjos e coros angélicos?
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Referências bibliográficas
Santa Teresa de Jesus, Livro da Vida 6,6-8
São José, Mons. Ascânio Brandão
Bíblia Pe João de Matos
São José. O esposo de Maria, da qual nasceu jesus. Ed Petrus 1ª edição-2010

domingo, 1 de maio de 2016

São José Operário


O Papa Leão XIII com a Encíclica Quamquam Pluries (1889) exprime um sentimento paterno para os trabalhadores preocupando-se com a situação deles. O ponto de referência é o mistério da encarnação, que coloca em realce a dignidade do trabalho através de São José. “Os proletários, os operários e quantos são desafortunados... devem recorrer a São José e dele tomarem a sua imitação. Ele, se bem que da estirpe real, unido em matrimônio com a mais santa e excelsa entre as mulheres, e pai putativo do Filho de Deus, passou a sua vida no trabalho... O trabalho operário, longe de ser desonra...”. Da mesma forma, a Encíclica Rerum Novarum (1891), também de Leão XIII, afirma que Jesus “Embora sendo filho de Deus e Deus ele próprio, quis ser visto e considerado Filho do carpinteiro, e não negou de transcorrer uma grande parte da sua vida no trabalho manual”.


A Exortação Apostólica Redemptoris Custos (nº 22) evidencia claramente a missão de São José quando afirma que “Graças ao seu banco de trabalho, junto do qual exercitava o próprio ofício juntamente com Jesus, José aproximou José aproximou o trabalho humano ao mistério da redenção”.
A Encíclica Laborem Exercens de João Paulo II, Jesus dedicou a maior parte dos anos de sua vida sobre a terra ao trabalho manual, junto a um banco de carpinteiro (nº 6). Neste sentido “São José tem uma grande importância para Jesus, se verdadeiramente o Filho de Deus feito homem o escolheu para revestir a si mesmo de sua aparente filiação... Jesus o Cristo, quis assumir a sua qualificação humana e social deste operário (Paulo VI – Alocução 19/3/1964). Jesus “não se serviu das realidades humanas apenas para manifestar-se, mas uniu-se a elas para santificá-las com sua humanidade” (S Th, III q.8,a.1). Porque o trabalho constitui uma dimensão fundamental da existência humana, Jesus escolheu esta dimensão para qualificar o seu estado social.
Escolhendo de ser considerado Filho de José (Lc 3,23), Jesus herdou, como afirmamos, o título de Filho de Davi, mas contemporaneamente assumiu também o título de “Filho do Carpinteiro” (Mt 13,55), e na carpintaria de Nazaré trabalhou com mãos de homem (GS 22), santificando o trabalho.
Sendo que Jesus dividiu o seu trabalho com José na carpintaria, então nenhuma outra pessoa, depois de Maria, esteve tão próximo das mãos, da mente, da vontade e do coração de Jesus quanto José; por isso, Pio XII afirma que ele foi o Santo no qual penetrou grandemente o espírito do Evangelho.
Como sabemos, um carpinteiro, numa cidade pequena como Nazaré, naqueles tempos tinha diversas funções e não trabalhava somente com madeira, mas também com ferro (era ferreiro), preparava alicerces de casas, planejava e fazia valas para os mais diversos fins; quem sabe era até pedreiro... Era o Homem do Trabalho.
Voltando à realidade de José, o carpinteiro, podemos dizer que Jesus realizou a redenção em três etapas:
 a primeira, que nos interessa foi a sua vida escondida, na oficina de Nazaré;
 a segunda, na vida pública, enquanto pregava e anunciava o Reino de Deus;
 e a terceira no Mistério Pascal em sua Paixão, Morte e Ressurreição.
Interessa-nos aqui a primeira; a vida oculta, especialmente junto ao pai carpinteiro que, certamente José tinha a presença mais marcante, pois a sociedade do tempo confiava a educação do filho homem ao pai. José educou o Filho de Deus ensinando-o a ser homem. A oficina de Nazaré teve grandes momentos de trabalho e santidade e nela Jesus, ao lado de José, iniciou a salvação da humanidade.
O dia do hebreu começava bem cedo com o trabalho, mas já às 09:00 horas, e em outras horas, durante o dia S. José, fiel à tradição do seu povo, interrompia as atividades para recitar a oração prescrita pela lei. Ali mesmo, no recanto da sua oficina, em pé, voltado para o Templo de Jerusalém e com as mãos erguidas para o céu, rezava esta oração:
"Escuta Israel: O Senhor é o nosso Deus, o Senhor é um só. Amarás o senhor teu Deus com todo o teu coração, com toda a tua alma e com todas as tuas forças..."
Após cumprir essa obrigação religiosa, retornava ao serviço: afinal, era com o suor do seu rosto, com a força de seus músculos e com os calos de suas mãos que tirava o sustento para si e para a sua família.
Portanto, competia ao povo lembrar e pôr em prática todos os mandamentos. Feito esse momento de oração, retomava-se novamente o trabalho, até o fim da jornada.
Assim, aquele pequeno recanto da casa pobre de Nazaré que acolheu por muitos anos as três personagens mais importantes que viveram na terra: Jesus, Maria e José. Nada ali se manifestava grandioso, portentoso ou extraordinário. José, era focado ao barulho da serra e do martelo, procurava dia após dia cadenciar tudo com suas orações e meditações. Animado por esse espírito, todos os seus trabalhos assumiam um significado profundo e imenso diante de Deus. Afinal, era ali, de maneira escondida, que se processava um grande mistério: um artesão pobre ensinava ao próprio Filho de Deus uma profissão e este lhe obedecia colocando em prática todos os seus ensinamentos.
Sua característica foi justamente o devotamente total de sua vida ao serviço da encarnação e da missão redentora do Filho de Deus, missão única e grandiosa. Por isso, foi enriquecido abundantemente com dons especiais por parte de Deus, e sua vida, iluminada por uma luz divina.
A Constituição dogmática Gaudium et spes afirma que o Onipotente artífice do universo verdadeiramente "trabalhou com mãos de homem", santificando diretamente o trabalho humano. José foi perante a Providência divina o necessário instrumento de tal redenção, dada justamente na sua própria carpintaria, através de uma missão que ele não somente a exercitou ao lado de Jesus, mas inclusive acima de Jesus, o qual lhe era submisso (Lc 2,51).

Alisson Oliveira . Cm