Mostrando postagens com marcador Cristo redentor. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Cristo redentor. Mostrar todas as postagens

domingo, 29 de outubro de 2017

Discurso de Encerramento do Congresso do Cristo Redentor

Cardeal Dom Sebastião Leme da Silveira Cintra.
Domingo 11 de outubro de 1931
Igreja de São Francisco de Paula, Rio de Janeiro

Ao legado de Sua Santidade o papa Pio XI, o Cardeal Arcebispo do Rio, cabe-lhe a honra insigne de encerrar o Congresso de Cristo Redentor e não o fará em discurso mas sim em palavras simples.
O representante do Santo Padre deve antes de tudo agradecer as palavras de carinho e amor que neste congresso foram proferidas.
Nas horas de tribulações, nas horas em que cravejam de angústia e dor o papa, quando não faltam renegados que insuflam a plebe amotinada a queimar conventos e asilos, quando um país há no mundo em que chegam a arregimentar um verdadeiro exército para uma guerra de extermínio ao nome de Deus, deve a pessoa do papa chegar a consoladora notícia de que, nas outras bandas do mar, existe um povo que faz questão de ser fiel a Cristo Rei, fiel à Santa Igreja, fiel ao soberano pontífice.
Nós queremos que ele Reine sobre o Brasil. E Cristo reinará! É o que o legado vai dizer ao papa, que lhe deu uma missão de amor e de benção.
Nas horas tristes, dirá ao papa que contempla a nossa Guanabara, o nosso Corcovado. O papa dirá então: " que lindo trono para o Cristo Redentor". E o cardeal legado dirá: " existe outro trono mais antigo e mais resistente que o granito do Corcovado: é o trono da Eucaristia, o trono da adoração perpétua".
O legado do sumo pontífice quer saudar hoje, e pede a seus filhos espirituais uma braçada de flores, uma explosão de aplausos, para o Episcopado nacional, grato pelo muito que fizeram os bispos, grato pelo que fizeram em prol do monumento, pelo brilho nunca dantes visto em outras solenidades. Podem todos imaginar como o coração se enche de emoção.

O representante do papa beija comovido as mãos que espalham esmolas da terra e do céu. Tem viva na retina e no coração a visão magnífica da hora santa em Santa Ana em que , os bispos, pareciam um colar de ametistas, que um anjo custódio tivesse como símbolo de amor e reparação para todo o povo brasileiro.
Tinha a impressão de que a legião dos bispos, nas horas presentes de guerras, formava uma força maior que a de todas as fortalezas. Amanhã eles irão sagrar a Cristo Rei do Brasil.
Os corações de nossos bispos serão a jóia mais preciosa para o diadema de Cristo Rei. Colocaram ao lado do trono duas bandeiras: a do papa e a da pátria e, por cima, a imagem do Salvador abraça num olhar carinhoso a todos: papa, bispos, povo brasileiro.
Mas se os homens persistirem na contumácia das competições políticas regionais e pessoais, tudo isto erá estraçalhando a unidade da pátria.
Senhor, eu não quero ser poeta lúgubre da morte da mais bela das pátrias! Senhor prefiro mil vezes sepultar os poucos anos que me restam a ver a infelicidade na pátria deste Brasil que é nosso!
Ó pátria, ajoelhe-se junto a Cruz do Redentor, junto á cruz onde nasceste grande e cresceste imensa. Brasil! Ò Pátria, conserva-te de joelhos diante de Cristo Redentor porque assim poderás apresentar-se de pé diante das outras nações, adorando um só Cristo Redentor.
Senhor! Aos pés do Cristo Redentor, Juremos fidelidade ao Brasil, à integridade da pátria. Agora compreendeis a elevação patriótica destas manifestações da pátria a Cristo Redentor.
Cristo vive, reina e impera!
Falta ainda completar estas palavras. Na praça de São Pedro, em Roma, existe um obelisco com essa inscrição e ainda argumento "et plebem suam ab omni malo defendant". O legado pontifício pede a aprovação de todos com aplausos para colocar no pedestal do Cristo Redentor a inscrição das palavras: "Cristo vence, Cristo Reina, Cristo impera, e contra todos os males defenda seu brasil"
Nunca o Brasil será vencido. Cristo vence, Cristo reina e porque reina a cruz nunca será humilhada ou desterrada da nossa pátria.
Para apagar a fé do Brasil seria preciso subir aos céus e apagar todas as estrelas. Seria necessário um terremoto ou maremoto que atingisse a Cristo no Corcovado, montanha escarpada que transformamos no trono perpétuo do Redentor. Seria preciso calcinar o granito do corcovado, o corcovado do coração.
Cristo impera, e na terra na qual  Cristo reina é preciso que todos se amem, é preciso que estale o beijo de toda a família brasileira.
Cristo impera, e o seu império é o imperio da paz, do amor e da misericórdia e do perdão. Aqui na terra enluarada pela visão branca do Cristo não há vencedores nem vencidos. Somos todos irmãos, filhos da mesma pátria, membros da mesma família.
Ao gesto amoroso de Cristo que abre os braços acolhedores a todos os brasileiros, sem distinção, deve responder o gesto patriótico do amplexo fraternal de todos os filhos e habitantes desta terra bendita.
Cristo vence ! E porque esta terra é sua, ela nunca será vencida pelo estrangeiro invasor, nem retalhada pela guerra civil.Seremos doce império em que não há lugar para tiranias. Nem a tirania de capitalismos vorazes, nem a tirania da demagogia sangrenta, nem a tirania dos potentados, nem a tirania do povo.

CRISTO VENCE, CRISTO REINA, CRISTO IMPERA, E CONTRA TODOS OS MALES DEFENDA O SEU BRASIL !!!

segunda-feira, 6 de junho de 2016

Segue-Me (Mt 8, 22) – Meditação Eucarística


Por Beato Manel González García.

Estamos em nosso Sacrário; tu, meu sacerdote, de joelhos diante do Altar, Eu de meu modesto trono do cibório. Ouviste e entendeste o “se conhecesses…!” de meu convite ao Sacrário, e, em vez de imitar à Samaritana nas perguntas de curiosidade e de dúvida com que me responde, decidiste aceitar e vir.
Não é isso que me queres dizer posto aí de joelhos?
Sim, o olhar fixo com que olhas para a porta de meu Tabernáculo, como esperando ver-me sair por ela para te falar e andar, caminhar contigo, está me recordando a atitude firme de outro sacerdote meu: de Pedro, quando me dizia à vista de muitos que iam embora: A quem iremos, senão a Vós?
Esta é a tua palavra, não é verdade?
Mas devo te advertir que nos séculos que levo vivendo entre os homens, ouvi muitos dizerem estas palavras, e, não obstante, vejo tão poucos me seguirem.
E não creias que mentem, mas se enganam…
Sabes em que?
Em vez de seguir-me a mim, que sou o Jesus verdadeiro, seguem a um outro Jesus.

As duas classes de seguidores de Jesus.

Não te estranhes nem te escandalizes: Jesus verdadeiro só há um, o primogênito do Pai Celestial e Filho da Virgem Imaculada; mas Jesus falsificados, apócrifos, fantásticos, há muitos, muitos, tantos como imaginações e egoísmos, sensualidades e hipocrisias, empenhados em que não haja Jesus, ou que e ele exista a seu gosto e capricho.
Conheço mais falsificações de mim (que realidade)!
E evidentemente, como sempre é mais cômodo seguir ao falsificado que ao verdadeiro, tenho que passar pela dor de me ver suplantado, em minhas igrejas, em meus Sacrários!
Coitadinhos! E os vejo rezando e alguns até comungando, e logo depois no colóquio que em seu interior fazem com seu Jesus, e na atitude e nos trajes com que se apresentam, percebo que não é comigo que falam, mas com um jesus (assim com letra minúscula) não bom, mas bonachão, não suave, mas adocicado, não compassivo, mas tolerante, não sábio, mas de modestos alcances, não ciente de tudo, mas míope e afeiçoado a fazer vista grossa, não diligente, mas sonolente, … um jesus, evidentemente, sem nada de coroa de espinhos, nem cruz, nem sangue, nem pobreza, nem austeridades de Calvário, mas antes, com esplendores de glória, brancuras de neve, olhares apaixonados, colo terno, peitos macios, ternura de palavras, derretimentos de afetos, de sonhos, e de ilusão. Quanta coisa e sob tanta variedade de formas!
E não penses, meu sacerdote, que são somente pessoas mundanas e sem teologia as que assim me suplantam, que aqui na intimidade da conversa, eu te direi – e quanta pena isso me causa – que ouço a alguns amigos pregando a um jesus que não sou eu, aconselhando conforme uma moral cristã que não é minha, prometendo prêmios e recompensas a obras e pessoas totalmente incomunicadas comigo…
Como tudo isso é duro, não?
Mas tão certo como duro.
Não vês as obras de muitos que me tem na boca, que andam junto a mim e que até comem por servir-me?
Em suas maneiras de falar e de pensar dos demais, de querer aos irmãos, de tratar os inimigos, de vestir, de sofrer, de se alegrar, de viver, em uma palavra, encontras acaso um traço que seja, do Jesus Sacrário: calado, paciente, pobre, abnegado, incansável, humilde, generoso e amante até o fim?
Não? E contudo falam de Jesus, chamam-se cristãos, isto é, seguidores de Jesus?

Já sabes a qual jesus seguem.

Eles são dos falsificadores

Tu, segue-me a Mim.

A Mim!

O filho de Maria Imaculada, o aprendiz da oficina de Nazaré, o Mestre da Cruz de madeira, o Crucificado do Calvário e do Altar, o Cordeiro de Deus que tira os pecados do mundo…

fonte: http://www.adapostolica.org/artigos/segue-me-mt-8-22-meditacao-eucaristica/

domingo, 15 de novembro de 2015

Carta aos fiés de Olinda e Recife – Dom Leme


Ora, da grande maioria dos nossos católicos, quantos são os que se empenham em cumprir os mandamentos de Deus e da Igreja? É certo que os sacramentos são caudais divinos por onde corre a seiva vivificadora da fé. E, no entanto, parte avultada dos nossos católicos vive afastada dos sacramentos. A Penitência e a Eucaristia, focos de luz divina, são sacramentos conhecidos tão somente da maioria eleita dos nossos irmãos. E os outros? Não carecem do perdão magnânimo do Cristo? Não precisam, quem sabe, das luzes, do conforto e das inenerráveis graças do Pão Eucarístico? Não são católicos! É que são católicos de nome, católicos por tradição e por hábito, católicos só de sentimento. Ensinou-lhes uma santa mãe a beijar a cruz e a Virgem. Eles ainda o fazem. Mas, das práticas cristãs, dessas que purificam e salvam, eles se apartaram desde os primeiros dias da mocidade. (…)

Somos a maioria absoluta da nação. Direitos inconcussos nos assistem com relação à sociedade civil e política, de que somos a maioria. Defendê-los, reclamá-los, fazê-los acatados, é dever inalienável. E nós não o temos cumprido. Na verdade, os católicos, somos a maioria do Brasil e, no entanto, católicos não são os princípios e os órgãos da nossa vida política. Não é católica a lei que nos rege. Da nossa fé prescindem os depositários da autoridade. Leigas são as nossas escolas; leigo, o ensino. Na força armada da República, não se cuida da Religião. Enfim, na engrenagem do Brasil oficial não vemos uma só manifestação de vida católica. O mesmo se pode dizer de todos os ramos da vida pública.

Anticatólicos ou indiferentes são as obras da nossa literatura. Vivem a achincalhar-nos os jornais que assinamos. Foge de todo à ação da Igreja a indústria, onde no meio de suas fábricas inúmeras, a religião deixa de exercer a sua missão moralizadora. O comércio de que nos provemos parece timbrar em fazer conhecido que não respeita as leis sagradas do descanso festivo. Hábitos novos, irrazoáveis e até ridículos, vai introduzindo no povo o esnobismo cosmopolita. Carnavais transferidos para tempos de orações e penitência, danças exóticas e tudo o mais que o morfinismo inventou para distração de raças envelhecidas na saturação do prazer.

Que maioria-católica é essa, tão insensível, quando leis, governos, literatura, escolas, imprensa, indústria, comércio e todas as demais funções da vida nacional se revelam contrárias ou alheias aos princípios e práticas do catolicismo? É evidente, pois, que, apesar de sermos a maioria absoluta do Brasil, como nação, não temos e não vivemos vida católica. (…)

Os deveres religiosos, como não cumpri-los? Ou cremos em Deus e na sua Igreja ou não cremos. Sim? Então não podemos recusar obediência ampla e incondicional às suas leis sagradas. Não cremos em Deus e na Igreja? Nesse caso, não queiramos esconder a nossa descrença. Digamo-lo francamente: não somos católicos. Se, porém, temos a dita de o ser, não há tergiversação possível. Pautando a vida pelos ditames do Credo e dos Mandamentos, deles não nos é permitido selecionar o que nos agrada e o que nos contraria as paixões. Seria ofender a consciência e faltar à coerência. Dessa incoerência, menos rara do que se pensa, resulta a quase nenhuma influência dos princípios regeneradores do cristianismo nos atos da vida individual. E não é só. Privados do influxo benéfico e incomparável do Cristo, privamos a família, a sociedade e a pátria da nossa influência salvadora. Se Cristo não atua sobre a nossa vida individual, como poderemos atuar sobre o meio social?

E, no entanto, da influência social dos católicos é certo que muitos precisa a nossa pátria amada. Ela tem o direito indiscutível a exigir de nós uma floração de virtudes privadas e cívicas que, estimulando a todos no cumprimento do dever, em todos se infiltrem para germe de probidade e são patriotismo.

Da nossa parte, a consciência nos impele a nos desobrigarmos dos deveres que temos para com a sociedade e a pátria. Eles nascem da fé que nos anima e vivifica. Temos fé, somos possuidores da verdade! Como não querer propagá-la? Como não difundi-la? Seria desumano que pretendêssemos insular a nossa fé nas inebriações de perene doçura extática.

É natural, é cristão, é lógico que devo pôr todo o empenho em que meu Deus seja conhecido e amado. Devo esforçar-me para que se dilate o seu reinado e ele – o meu Jesus – viva e reine, impere e domine nos indivíduos, na família e na sociedade.Devo esforçar-me, em tudo e por tudo, para que o meu Deus, Mestre e Senhor, viva e reine, principalmente, nos indivíduos, na família e na sociedade que, irmanadas comigo nos laços do mesmo sangue, da mesma língua, das mesmas tradições, da mesma história e do mesmo porvir, comigo vivem sobre a mesma terra, debaixo do mesmo céu.

Sim, ao católico não pode ser indiferente que a sua pátria seja ou não aliada de Jesus Cristo. Seria trair a Jesus; seria trair a pátria! Eis por que, com todas as energias de nossa alma de católicos e brasileiros, urge rompamos com o marasmo atrofiante com que nos habituamos a ser uma maioria nominal, esquecida dos seus deveres, sem consciência dos seus direitos. É grande o mal, urgente é a cura. Tentá-lo – é obra de fé e ato de patriotismo.

Fonte: Deus e a pátria: Igreja e Estado no processo de Romanização na Paraíba (1894-1930) / Roberto Barros Dias. – João Pessoa, 2008