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quarta-feira, 21 de junho de 2017

Oração a São Luiz Gonzaga


Ó Luís Santo, adornado de angélicos costumes, eu, vosso indigníssimo devoto, vos recomendo singularmente a castidade da minha alma e do meu corpo. Rogo-vos por vossa angélica pureza, que intercedais por mim ante ao Cordeiro Imaculado, Cristo Jesus e sua santíssima Mãe, a Virgens das virgens, e me preserveis de todo o pecado. Não permitais que eu seja manchado com a mínima nódoa de impureza; mas quando me virdes em tentação ou perigo de pecar, afastai do meu coração todos os pensamentos e afetos impuros e, despertando em mim a lembrança da eternidade e de Jesus crucificado, imprime profundamente no meu coração o sentimento do santo temor de Deus e inflamai-me no amor divino, para que, imitando-vos cá na terra, mereça gozar a Deus convosco lá no céu. Amem"

domingo, 21 de maio de 2017

A República Mariana

Alexandre Martins, cm.

A Sociedade humana se organiza em grupos. De acordo com a história da humanidade, esses grupos se organizam de formas características.
As irmandades católicas, e também as confrarias, se organizam de uma forma familiar, como o próprio nome diz. Ou seja, são irmãos que se consideram parte de uma mesma família. Daí o nome “irmandade” (reunião de irmãos) e “confraria” (do latim, “frater”, irmão, também é reunião de irmãos) serem nomeados esses agrupamentos.

O usado na Idade Média

Como as irmandades e confrarias foram concebidas na Idade Média, como a primeira confraria mariana que se tem notícia, a fundada pelo início do século XI, em Ravena, Itália, pelo Beato Pedro de Honestis (1049-1119), a sua organização era concebida como as guildas medievais.
Uma irmandade tem um chefe denominado Provedor que, como significa o nome, é o que provê as necessidades do grupo, como um pai na sua família, imitando outra instituição quase medieval: os mosteiros e seus abades.
Nas irmandades e confrarias a mesa diretora é composta em geral pelos mais antigos que se revezam de acordo com o tamanho e necessidade da confraria. Símbolos são usados amplamente para distinguir o grau e a importância do Provedor e os membros da mesa de direção, mesmo para os que não são membros da irmandade.

A Idade Moderna

Como advento das Congregações Marianas surge uma organização diferente.
As Congregações Marianas embora taxadas de “medievais” até por alguns jesuítas modernos, curiosamente surgiu na própria Idade Moderna, século XVI. A Idade Média havia terminado há várias décadas atrás. Mesmo o famoso Concílio de Trento, renovador de per si na história da Igreja, havia sido realizado poucos anos antes da fundação da primeira Congregação Mariana.
Como uma instituição moderna, portanto, as Congregações Marianas adotaram uma organização também moderna.
O governo das Congregações Marianas é entregue aos leigos, com a supervisão de um sacerdote. As irmandades e confrarias também o eram, mas com as Congregações Marianas a forma era algo de “republicano” em comparação com as irmandades que eram, por sua vez, mais “monarquistas” e “feudais”.

Leigos como diretores

Um exemplo claro do citado acima é o título que o dirigente leigo possui nas Congregações Marianas: o de Prefeito, ou Presidente, títulos empregados na Europa e Brasil, respectivamente. Esse título exemplifica bem o caráter comunitário da gestão administrativa das Congregações Marianas. O diretor é alguém eleito por seus pares e pode ser tanto um antigo Congregado quanto um mais novo. Além disso, os demais diretores também são escolhidos do mesmo jeito. Se compreende então que é a comunidade de Congregados que são representados em um pequeno grupo que organizará a vida da Congregação Mariana por um determinado período e que por sua vez será substituída por outros em nova eleição interna.
O sacerdote possui neste cenário uma posição e atuação bem particular. Embora as Regras Comuns de 1910 tenham dado poderes maiores aos sacerdotes, que possuíam o título de Diretor Espiritual, na realidade essa autoridade era exercida mais num sentido de amorosa orientação do que rígida disciplina.
Mesmo o famoso pe. Coster, jesuíta que tanto utilizou das Congregações Marianas para o trabalho de evangelização e apostolado nas cidades europeias do século XVII, dava apenas as orientações gerais par suas associações e para seus Congregados, deixando-os livres para a ação.
Infelizmente, no início do século XX, no Brasil, as Congregações Marianas eram tratadas de forma mais rígida pelos sacerdotes, colocando os dirigentes numa situação de praticamente dependência deles, sem muita iniciativa particular. Com a mudança das Regras em 1967, e o consequente retorno à posição mais colaborativa do sacerdote, os dirigentes ficariam como que desamparados na orientação de seus trabalhos administrativos e a consequência foi uma grande queda no ímpeto apostólico das Congregações Marianas no Brasil.
Mas as novas Regras que dirigem as Congregações Marianas no Brasil, se por um lado não modificaram a posição colaborativa do sacerdote na organização da associação, por outro lado não impedem que se possa retornar à tradição das clássicas Congregações Marianas.

A Regra brasileira de 1994

A Regra de Vida de 1994 nada se refere a não poder ser aceito na Diretoria alguém ainda no Aspirantado, quando não há número de Congregados marianos para isso, como se verifica nas Congregações Marianas que são recentemente fundadas. O antigo costume de haver a Consagração Perpétua aos primeiros fundadores de uma Congregação Mariana caiu em desuso na década de 1970 no Brasil.
A primeira diretoria é escolhida praticamente em um consenso pois em geral o número inicial é pequeno. A Regra de 1994 até mesmo a chama de “diretoria provisória” Daí a possibilidade de haver aspirantes entre os diretores.
A diretoria clássica era composta por um número considerável de pessoas. Sua divisão era de “oficiais maiores” e “oficiais menores”. O temo “oficial” dá-se porque a pessoa possui um “ofício” um função, e não, como se pode pensar de primeiro, alguma honraria ou prêmio.
Na tradição das Congregações Marianas, os oficiais maiores são o Presidente, o Vice-presidente, o Secretário e o Tesoureiro. O assistente eclesiástico é uma função que, embora compunha o elenco dos oficiais maiores, não é algo especial, pois não é eleito, mas nomeado. Em paróquias, é uma função naturalmente exercida pelo pároco.
Os oficiais menores são os demais cargos que venham a existir, como o de Porta-bandeira.
A escolha da Diretoria, em especial os oficiais maiores se dá por eleição simples entre os Congregados marianos. É um costume abster o Aspirantado de votar.
A duração do mandato se dá por um ou dois anos, E sempre foi feita uma cerimônia especial de posse de diretoria, com um pequeno juramento proferido pelos diretores perante o altar e o padre assistente, aonde se sublinha o caráter serviçal da função de diretor.

O protagonismo moderno das Congregações Marianas

As Congregações Marianas, fundadas na Idade Moderna, sempre estiveram à frene do seu tempo. Seu protagonismo se deu também através de uma gestão participativa de escolha livre entre os membros. Algo comparável a uma pequena república, ou mesmo uma pequena cidade onde seus habitantes escolhem seu prefeito.
Os diretores são os eleitos para organizar e guiar essa pequena república, uma república que não segue as leis humanas mas as leis do Evangelho. Uma república que tem como pátria a pátria celeste. Uma república que usa as cores da Mãe de Deus. Uma república da Virgem Maria.

terça-feira, 16 de maio de 2017

Mãe da Igreja e Auxiliadora dos Cristãos


São João Bosco, fundador da Congregação Salesiana, espalhou a devoção a Nossa Senhora invocada em todo mundo com este título: AUXILIADORA, que lembra a perene proteção de Maria Santíssima, sobre a Igreja e sobre o Papa. Os fiéis intuíram a intervenção sobrenatural de Nossa Senhora, invocada como AUXILIADORA e na Obra de Oratório, com muito acerto chamaram-na "A VIRGEM DE DOM BOSCO."

Já em 1824, Joãozinho Bosco, criança de 9 anos, como ele mesmo conta, teve o primeiro sonho profético, em que lhe foi manifestado o campo do seu futuro apostolado e ouviu a voz misteriosa do Senhor dizer-lhe: "DAR-TE-EI A MESTRA." E logo, apareceu a Senhora de aspecto majestoso que o animou a trabalhar, para corrigir o comportamento dos meninos malcriados.

Nossa Senhora apareceu freqüentemente nos sonhos de Dom Bosco e foi a estrela do seu apostolado. Ele a chamava Mãe e sustentadora, socorrendo a Congregação Salesiana, especialmente toda vez que precisava-se auxílio extraordinário para atender as necessidades dos meninos pobres e abandonados, não só materiais, mas sobre tudo quando suas almas corriam perigo.

E, durante toda a sua vida Dom Bosco foi incansável em fazê-la conhecer, amar e honrar. Discursos, conferências, livros, festas: seriam necessários muitos volumes e muito tempo para recordar todas as iniciativas de seu fervor mariano.

Com a construção da Basílica de Maria Auxiliadora de Turim, em 1868, o Santo quis erguer um monumento eterno do seu amor e dos seus filhos espirituais, à celeste Mãe. Teve sempre ternura de filho no seu amor e no seu reconhecimento para com Ela, que o guiou e socorreu com a sua visível e por vezes miraculosa proteção.

"Maria Santíssima é minha Mãe – dizia Dom Bosco. Ela é minha tesoureira. Ela foi sempre a minha guia." Em suas conferências Dom Bosco sempre procurava responder a estas três perguntas:

Por que a honramos? Por que a invocamos? Por que é Auxiliadora?

Porque Ela é Mãe de Deus, Mãe de Jesus Cristo e nossa mãe.

A Igreja nos ensina também que Maria é a Medianeira de todas as graças. Porque Maria Santíssima, modelo perfeito de todas as virtudes, nos ensina com seu exemplo como devemos imitar a seu Divino Filho. Precisamente, na imitação das virtudes de Maria se manifesta verdadeira nossa devoção. E estas virtudes de Nossa Senhora, nós vamos encontrar nas páginas de Evangelhos: A obediência, a humildade, a pureza de coração. Por motivos históricos e litúrgicos, quando falamos de Maria Santíssima como Auxílio dos Cristãos, logo Ela nos aparece como a Defensora da Igreja, da Civilização cristã, do Papa, dos nossos Bispos e de todo cristão. "Auxílio dos Cristãos."
Este título: AUXILIADORA DOS CRISTÃOS foi introduzido na Ladainha de Nossa Senhora pelo Papa São Pio V, após a vitória dos cristãos obtida em Lepanto, vitória essa, conseguida graças ao auxílio de Deus e de Nossa Senhora. Em 1571, Dom João, príncipe austríaco, comandou os cristãos nessa batalha de Lepanto. São Pio V enviou para o Imperador uma bandeira, na qual estava bordada a imagem de Jesus crucificado. A preparação dos soldados consistiu em um tríduo de jejuns, orações e procissões, suplicando a Deus a graça da vitória, pois o inimigo não era apenas uma ameaça para a Igreja mas também para a civilização. Tendo recebido a Santa Eucaristia, partiram para a batalha. No dia 7 de outubro de 1571, invocando o nome de Maria, Auxílio dos Cristãos, travaram dura batalha nas águas de Lepanto. Três horas de combate foram necessárias... A vitória coube aos cristãos, que ao grito de "Viva Maria", hastearam a bandeira de Cristo.

Mais tarde, por causa da libertação de Viena situada pelos turcos, no ano de 1863, o rei da Polônia João III Sobieski, que chegou com as tropas polonesas em auxílio para a cidade sitiada, confessou humildemente ao Papa: "VENI, VIDI DEUS DEDIT VICTORIAM", (Cheguei, vi, Deus deu vitória). Recordando a todos e atribuindo a Virgem Maria tamanha graça. No início do século XIX, o Papa Pio VII, estabeleceu a Festa de Maria Auxiliadora no dia 24 de maio, como gratidão por ter sido libertado da injusta opressão em que se achava, ou seja, prisioneiro de Napoleão na França.

Esta festa se comemora hoje em muitas igrejas particulares e Institutos religiosos, principalmente na Sociedade de São Francisco de Sales, fundada por São João Bosco.

Dom Bosco difundia a devoção a Maria Auxiliadora, em uma perspectiva eclesial e missionária. Realmente, a Igreja sempre experimentou auxílio eficacíssimo da Mãe de Deus nas perseguições excitadas pelos inimigos da fé cristã.

No ano de 1862, as aparições de Maria Auxiliadora na cidade de Spoleto marcam um despertar mariano na piedade popular italiana. Nesse mesmo ano, Dom Bosco iniciou a construção, em Turim, de uma grande Basílica, que foi dedicada a Nossa Senhora, Auxílio dos Cristãos. Até então não se percebe em Dom Bosco uma atenção especial por esse título. "Nossa Senhora deseja que a veneremos com o título de AUXILIADORA: vivemos em tempos difíceis e necessitamos que a Santíssima Virgem nos ajude a conservar e defender a fé cristã", disse Dom Bosco ao clérigo Cagliero.

A partir dessa data, Dom Bosco, que desde pequeno aprendeu com Mamãe Margarida, sua mãe, a ter grande confiança em Nossa Senhora, ao falar da Mãe de Deus, lhe unirá sempre o título AUXILIADORA DOS CRISTÃOS. Para perpetuar o seu amor e a sua gratidão para com Nossa Senhora e para que ficasse conhecido por todos e para sempre que foi "Ela (Maria) quem tudo fez", quis Dom Bosco que as Filhas de Maria Auxiliadora, congregação por ele fundada juntamente com Santa Maria Domingas Mazzarello, fossem um monumento vivo dessa sua gratidão.

A devoção a Nossa Senhora Auxiliadora foi crescendo cada vez mais e mais. O Papa Pio IX fundou no Santuário de Turim (Itália) dia 5 de abril de 1870, uma Arquiconfraria, enriquecendo-a de muitas indulgências e de favores espirituais.

No dia 17 de maio de 1903, por decreto do Papa Leão XIII, foi solenemente coroada a imagem de Maria Auxiliadora, que se venera no Santuário de Turim.

Dom Bosco ensinou aos membros da família Salesiana a amarem Nossa Senhora, invocando-a com o título de AUXILIADORA. Pode-se afirmar que a invocação de Maria como título de Auxiliadora teve um impulso enorme com Dom Bosco. Ficou tão conhecido o amor do Santo pela Virgem Auxiliadora a ponto de Ela ser conhecida também como a "Virgem de Dom Bosco".

Dos escritos de São João Bosco, retiramos algumas passagens para ilustrar o seu amor por Maria Santíssima:

"Recomendai constantemente a devoção a Nossa Senhora Auxiliadora e a Jesus Sacramentado".

"A festa de Maria Auxiliadora deve ser o prelúdio da festa eterna que deveremos celebrar todos juntos um dia no Paraíso".

"Sê devoto de Maria Santíssima e serás certamente feliz".

"Devoção e recurso freqüente a Maria Santíssima. Jamais se ouviu dizer no mundo que alguém tenha recorrido com confiança a essa mãe celeste sem que não tenha sido prontamente atendido".

"Diante de Deus declaro: basta que um jovem entre numa casa salesiana para que a Virgem Santíssima o tome imediatamente debaixo de sua especial proteção".

Dom Bosco confiou à Família Salesiana a propagação dessa devoção, que é, ao mesmo tempo, devoção à Mãe de Deus, à Igreja e ao Papa.

Concluímos com essas palavras do Papa João Paulo II: "A devoção a Maria é fonte de vida cristã profunda, é fonte de compromisso com Deus e com os irmãos. Permanecei na escola de Maria, escutai a sua voz, segui os seus exemplos. Como ouvimos no Evangelho, Ela nos orienta para Jesus: ‘Fazei o que Ele vos disser’ (Jo 2, 5). E, como outrora em Caná da Galiléia, encaminha ao Filho as dificuldades dos homens, obtendo dEle as graças desejadas. Rezemos com Maria e por Maria. Ela é sempre a ‘Mãe de Deus e nossa’".

Fonte: http://www.auxiliadora.org.br/maria

segunda-feira, 27 de março de 2017

Para que servem as Congregações Marianas‏

Alexandre Martins, cm.

A Igreja é o Corpo Místico de Cristo e pertencer a ela é a única coisa necessária para a Salvação.1 Estar em um grupo da Igreja é algo a mais e não absolutamente necessário. E cada associação da Igreja tem sua utilidade e função específica.
Os Mandamentos da Igreja, os quais nos são ensinados no Catecismo, alertam para o dever de assistir Missa inteira nos Domingos e Festas obrigatórios. É necessário à Salvação a participação na memória do Santo Sacrifício de Nosso Senhor ao menos nos Domingos, dia santo por excelência, como também nas quatro festas de presença obrigatória. Viver isso era considerado como ser um “bom católico”. Mas, após o Concílio Vaticano II e embasados pelas Conferências de Puebla e Medellín, os católicos, em especial os latino-americanos, foram chamados a possuir uma atitude missionária que acabou por gerar um ativismo que se tornou prejudicial para muitas pessoas, tanto fiéis leigos quanto o Clero. De hora para outra, participar da Santa Missa dominicalmente deixou de ser o somente necessário para se tornar algo caracteriza apenas o “católico acomodado”. De uma hora para outra, vários grupos, movimentos e pastorais surgiram como mato em um terreno baldio, ansiosas por mostrar uma “atividade missionária moderna”.
As Congregações Marianas, que já existiam há 4 séculos, sentiram a grande debandada de seus membros para os novos grupos que surgiram. Os sacerdotes, ansiosos por novidades, deram mais atenção aos novos movimentos e até mesmo criaram outros eles mesmos. Muitos leigos queriam algo diferente, uma reunião com cadeiras em círculo e sem paletós, e os padres conversando amenidades e não palestras preparadas com estudo.

Os novos grupos para velhas perguntas já respondidas


O problema, ou questão, que não foi respondida à época poderia haver mantido muitas Congregações Marianas funcionando ou até mesmo desencorajado a fundação de novos grupos que depois tiveram pouca duração: qual a finalidade das Congregações Marianas.
Um grupo mariano sempre tem uma função - ou carisma, como é o modo de falar de hoje. As confrarias do Rosário tinham a função de propagar a devoção e recitação do Santo Rosário. Os Círculos Bíblicos eram formados para fazer a leitura e estudo da Sagrada Escritura em conjunto por leigos, como um grupo de estudo escolar, sem sacerdotes. E as Congregações Marianas?

Para que servem as Congregações?


As Congregações Marianas não são somente um local de devoções marianas; não são um lugar de estudo sobre a Virgem Maria; não são uma espécie de escola de teologia ou estudos bíblicos; não são uma associação de ataque às heresias; não são um grupo aonde se abriga das baixezas do Mundo.
As Congregações Marianas servem para mudar a sociedade.
E que mudança seria essa senão a mudança da Sociedade humana à luz do Evangelho? E a mudança de uma mentalidade corrompida pelo pecado em uma mentalidade iluminada pela Graça santificante.
Por isso a preocupação das Congregações Marianas em que seus membros tenham vida de oração e frequência aos sacramentos, São os meios de manter e aumentar a Graça em nossos corações. Não se trata, portanto, de um ativismo para fazer mais orações ou atividades religiosas que outros grupos, mas sim proporcionar, aos Congregados e aos demais cristãos à nossa volta oportunidades de contexto com Deus.
Essa é a finalidade das Congregações Marianas: transformar a localidade aonde estejam. Como o sal da terra, como a lâmpada no alto, fazem a benéfica influência em tudo e em todos ao seu redor.

O porquê da formação do Congregado


A formação catequética dada aos Congregados não tem como função criar “super homens” da Fé ou grandes teólogos mas dar as razões da Fé para que ela seja robusta e firme no coração de cada um. Por isso a tradicional organização das Congregações Marianas para cada classe da Sociedade, como os estudantes, os comerciantes e outras. Com essa Fé firme, fortalecida pelo conhecimento da Doutrina Cristã, é natural que o Congregado seja um apóstolo no meio dos seus amigos e familiares, corrigindo, orientando e alentando a todos ao seu redor.
Por isso a seleção dos membros das Congregações Marianas, pois elas são o lugar para os que desejar agir e trabalhar para a expansão do Reino de Cristo na Terra. E nem todos querem ser cristãos assim. Muitos apenas desejam um grupo aonde se sintam acolhidos e queridos, outros um local tranquilo aonde possam fazer suas orações por intenções pessoais, outros querem uma espécie de escola da Fé aonde tenham suas dúvidas e curiosidades religiosas sanadas. Pessoas assim serão apenas amigos ou uma espécie de “associados paralelos” de uma Congregação Mariana mas não verdadeiros Congregados marianos.
Que sejam admitidos nas Congregações Marianas somente os que desejam transformar o Mundo e não os que querem apenas participar de um grupo mariano. Somente assim as Congregações Marianas poderão ser aquilo para o qual foram criadas.
Santa Maria, ensinai-nos a ser sal da terra!

domingo, 27 de novembro de 2016

O Manual na Mão


Alexandre Martins, cm.


O Manual do Congregado é uma ferramenta muito útil para a devoção particular dos membros das Congregações Marianas e para o início da compreensão das características de um verdadeiro Congregado Mariano.
O primeiro Manual para uso dos Congregados foi feito na cidade de Colônia, Alemanha, no século XVII em uma Congregação Mariana de Sacerdotes. No Brasil, houveram várias versões a partir do século XX, mas cada Congregação Mariana tinha uma publicação particular. Com a publicação do Manual dos Congregados pela Federação de São Paulo, não tardou que a Confederação Nacional publicasse a versão oficial padronizada para todo o país:
O Congresso confere à CNCMB* o direito reservado da publicação do Manual oficial. Só a Federação de São Paulo, por ser muito numerosa e possuir há muito seu Manual, fica isenta desta disposição, com a obrigação de não a vender fora do estado.” - 1º Congresso Nacional de Diretores.1

Desde as primeiras versões brasileiras, o Manual dos Congregados consta de basicamente três partes: A Regra de Vida, o Modo de agir do Congregado e o Devocionário.

A Regra de Vida

“As Regras passavam da Capela para as casas, pois estabeleciam que nos aposentos dos Congregados deveria sempre haver água-benta ou alguma imagem piedosa, com a finalidade de 'refrescar a memória”. 2
Os primeiros manuais continham a Regra inteira, incluindo as citações das publicações dos decretos eclesiásticos que as legitimavam. No Manual de 1997 consta apenas um resumo da Regra de Vida, com suas partes principais. Seu estudo é útil para a compreensão do básico das Regras, sendo de grande valia para os Aspirantes a Congregado.

O Dia a dia do Congregado

“As Congregações Marianas existem para ensinar como harmonizar Fé e Virtudes Cristãs com as ocupações cotidianas.”3
Embora existissem edições do Manual do Congregado que davam detalhes do modo de vida de um autêntico Congregado, o que todas as publicações tem em comum é mostrar o que difere um membro das Congregações Marianas de outras associações de fiéis católicos. O que é mostrado serve desde já para orientar o “modus vivendi” de um devoto que deseja se consagrar à Virgem Maria nas suas Congregações.

O Devocionário

“De fato, não é singular irmos aprender nos livros o que devemos dizer a Deus? Se não for posível proceder de outro modo empreguemos este meio; antes nos servirmos de um livro, que orar mal ou deixar de fazê-lo.” diz o pe. Meschler, SJ4
A edição de 1981 do Manual tinha o título “Manual-Devocionário do Congregado Mariano”. E era isso mesmo: metade da edição era somente de orações e práticas de piedade.
O Devocionário é uma parte do Manual que contém várias orações que são úteis para o Congregado mariano em sua vida de piedade pessoal e também orações que são para uso coletivo, como a Hora Santa. Não se trata de orações especiais de uso privativo dos Congregados marianos, mas são orações que são especialmente úteis para eles. Neste devocionário, os Aspirantes e Candidatos podem entender como a oração é usada e apreciada nas Congregações Marianas e como isso o educa na Fé Católica.

Seu uso constante

O uso do Manual é necessário para o Congregado diariamente. Em especial para os que estão começando nas Congregações Marianas, como os Aspirantes e os Candidatos, que devem tê-lo sempre “à mão”, como significa a palavra “manual”, isto é, algo “sempre ao alcance das mãos”.
As Orações da Manhã, das Refeições, o Rosário diário, o Ofício da Imaculada, as Visitas ao Santíssimo Sacramento, as Orações da Noite e o Exame de Consciência: todos são bem aproveitados se feitos com a ajuda do Manual do Congregado.

Um engano comum

Há Congregações Marianas que somente permitem o uso do Manual do Congregado após a Consagração Perpétua. A justificativa é da parte do Rito de Admissão5 em que o Assistente dá o livro ao novo Congregado dizendo a admoestação. Mas nada há na Tradição ou nas Regras que indique ser o Manual apenas de uso dos Congregados e não dos demais membros da Congregação Mariana. Devemos entender essa parte do Rito como um simbolismo de atenção às Regras. No texto do Rito vemos a ressalva - “entregando, onde for costume” - indicando que nem sempre o Manual é entregue ao membro da associação quando somente ele se consagra.
Em nossa experiência, o uso do Manual desde o início da frequência à Congregação Mariana dá frutos bons e favorece o fervor e o entusiasmo pela associação.

Conclusão

Use, abuse, leia, marque, risque seu Manual de Congregado. Faça dele uma autêntica ferramenta pessoal de busca da santidade. Que este livrinho tenha a marca dos dedos de seu dono, que tenha os riscos de uso constante, mostrando que é muito usado e que, no fim, suas letras estejam gravadas na mente e no coração do Congregado que o possui.
Que a Virgem, que lia seu livro no momento da Anunciação, nos ajude a ter nosso Manual em nosso coração!

domingo, 23 de outubro de 2016

A Devoção à Virgem na Congregação Mariana

tradução por Alexandre Martins, cm, do Original espanhol*

A devoção à Virgem na Congregação também envolve a imitação das suas virtudes em grau extremamente elevado. Ela é o Modelo e Mestra de santidade. Devemos copiar sua vida em todos os detalhes, refletir especialmente em nós sua pureza imaculada. Nesta escola de Maria é onde se aprende e se consegue a imitação de Jesus, a perfeição cristã.
Por isso o lema da Congregação: "A Jesus por Maria".
Em Maria devemos colocar toda a nossa confiança. "A Mãe de Deus é a minha mãe!" - disse s. Estanislau Kostka, o jovem Congregado mariano.
Incessantemente nos dirigimos a ela: através do Rosario (sem o qual não existe um Congregado); pelo Angelus, pelo uso da Medalha... É necessário, finalmente, nos encorajarmos uns aos outros para amar e servir com piedade filial, primeiramente entre nós mesmos. Com o exemplo e com palavras.
Devemos nos empenhar que a Virgem seja de todos conhecida e amada. Que todos experimentemr como é doce servi-La e quão é eficaz a sua proteção - nosso tesouro e seguro penhor da nossa salvação.
Mas, em última análise, a conclusão desta maneira prática e eficaz para viver na devoção Congregação à Santíssima Virgem, é a práticar a inteira, completa e perpétua Consagração à mesma Virgem Mãe, Lhe oferecendo em tributo a própria vida e prometendo-Lhe viver sempre entregue ao seu amor e serviço.
"A consagração à Mãe de Deus na Congregação Mariana é um dom total de si, para a vida e para a eternidade", diz o papa Pio XII, outro grande Congregado mariano.
Dar-se alguém a outro é entregar-se, dedicar-se de bom grado a satisfazer seus gostos e desejos. Não somente não fazer coisas que a desagradam, mas cumprir especialmente o que ela mais gosta. E o que mais gosta Maria? Não seria que seu Filho seja cada vez mais glorificado em intensidade (nossa própria santidade) e extensão (a salvação e santificação dos outros)?
Assim o papa Pio XII acrescentou: "Dom real, o que é verificado na intensidade da vida cristã e da vida apostólica."
O ato de consagração, não é um voto religioso ou apenas um juramento; não é uma simples cerimônia litúrgica ou uma promessa qualquer para agradar a Virgem; nem uma bela oração de "fórmula pura ou sentimental." É efetivamente uma doação baseada na palavra de honra pessoal dada livremente por quem deseja chegar a Jesus por intermédio de Maria, servindo-A, fazendo a Sua vontade, adaptando nossa vida com a vida e as virtudes dela.
Esta doação é universal, total: corpo e alma, coisas, bens e ocupações ... Todo eu, tudo o que faço, nunca poderia ser usado contra a aprovação Dela; seria como um sacrilégio; é Dela para Ela; e só se pode dedicar de acordo com os seus desejos, para a Sua glória e, consequentemente, do seu Filho divino.
Longe da ideia de uma rendição passiva e aniquiladora; se trata de uma entrega ativa e alegre, santificadora... Um sério compromisso de viver como coisa e posse de Maria.
Finalmente, é uma doação oficial e pública: "na Congregação", perante a Hierarquia, que recebe a Consagração e os companheiros Congregados já consagrados.
Não obriga sob o pecado, mas não seria embaraçoso para falar sobre pecado quando a medida é o amor e a generosidade?
Em vez disso, possui certos efeitos jurídicos perpétuos: a perseverança do Congregado o separa da multidão frívola e inconseqüente e o marca com um "caráter" espiritual, o "signum Mariae".
Com ele adquire uma forma de novo estado de vida que é uma nova maneira de ser e de agir, uma vez que nos faz "Ministros de Maria".
Ao se consagrar você dá inteiramente a Maria. Ah! Mas ela dá-lhe mais do que você pode esperar e imaginar. Em troca de sua fidelidade, que é o maior bem para você. Ela dá-lhe seu amor materno, sua protecção da Rainha, sua intercessão de Onipotência suplicante, a graça de seu Divino Filho que tudo pode e vale mais do que o mundo!

***




*- artigo do Congregado Alfonso de Jesus Marin Gonzalez, inspirado no documento "Princípios básicos para a formação da congregados" retirado do Boletim das Congregações Marianas de Madrid, março-abril de 1948.

domingo, 9 de outubro de 2016

As Congregações Marianas na China

Segue um artigo interessantíssimo publicado na Civiltà Cattolica, revista dos jesuítas supervisionada pela Secretaria de Estado da Santa Sé, sobre o modelo da Congregação Mariana aplicado à realidade chinesa,  de enorme escassez de sacerdotes, no século XVI. À época, mesmo tendo o auxílio dos sacerdotes uma vez ao ano, o cristianismo florescia e não se falava em relativizar o celibato sacerdotal.                         

 “O missionário aparecia uma ou duas vezes ao ano”, por Nicolas Standaert, SJ, da La Civiltà Cattolica n. 3989, de 10 de setembro de 2016

No século XVII, os cristãos chineses não estavam organizados em paróquias, ou seja, em unidades geográficas em torno do edifício de uma igreja, mas em “associações”, as quais eram dirigidas por leigos. Algumas destas eram uma mistura de associação chinesa e de congregação mariana, de inspiração europeia.

Parece que estas associações estavam mais difundidas. Por exemplo, por volta de 1665 havia cerca de 40 congregações em Xangai, ao passo que havia mais de 400 congregações de cristãos em toda a China, tanto nas grandes cidades como nas aldeias.

O estabelecimento do cristianismo a este nível local se fez na forma de “comunidades de rituais eficazes”, grupos de cristãos cuja vida se organizava em torno de determinados rituais (missa, festividades, confissões, etc.). Essas eram “eficazes”, porque construíam um grupo e porque eram consideradas pelos membros do grupo como capazes de proporcionar sentido e salvação.

Os rituais eficazes estavam estruturados em base ao calendário litúrgico cristão, que incluía não apenas as principais festas litúrgicas (Natal, Páscoa, Pentecostes, etc.), mas também as celebrações dos santos. A introdução do domingo e das festas cristãs fez com que as pessoas vivessem segundo um ritmo diferente do calendário litúrgico utilizado nas comunidades budistas ou taoístas. Os rituais mais evidentes eram os sacramentos, sobretudo a celebração da eucaristia e da confissão. Mas a oração comunitária – sobretudo a oração do terço e das ladainhas – e o jejum em determinados dias constituíam os momentos rituais mais importantes.

Essas comunidades cristãs revelam também algumas características essenciais da religiosidade chinesa: eram comunidades muito orientadas para a laicidade com dirigentes leigos; as mulheres tinham um papel importante como transmissoras de rituais e de tradições dentro da família; uma concepção do sacerdócio orientado para o serviço (presbíteros itinerantes, presentes apenas por ocasião das festas e de celebrações importantes); uma doutrina expressada de maneira simples (orações recitadas, princípios morais claros e simples); fé no poder transformador dos rituais.

Pouco a pouco, as comunidades chegaram a funcionar de maneira autônoma. Um presbítero itinerante (inicialmente eram estrangeiros, mas já no século XVIII eram, majoritariamente, sacerdotes chineses) costumava visitá-las uma ou duas vezes ao ano. Normalmente, os dirigentes das comunidades reuniam os diversos membros uma vez por semana e presidiam as orações, que a maior parte dos membros da comunidade conhecia de cor. Os dirigentes liam também os textos sagrados e organizavam a instrução religiosa. Muitas vezes havia reuniões exclusivas para mulheres. Além disso, havia catequistas itinerantes que instruíam as crianças, os catecúmenos e os neófitos. Na ausência de um presbítero, os dirigentes locais administravam o batismo.

Durante a visita anual, que durava alguns dias, o missionário conversava com os dirigentes e os fiéis, recebia informações sobre a comunidade, interessava-se pelos doentes e os catecúmenos, etc. Confessava, celebrava a eucaristia, pregava, batizava e rezava com a comunidade. Quando partia, a comunidade retomava a sua prática habitual de rezar o terço e as ladainhas.

Por conseguinte, o cristão comum via o missionário uma ou duas vezes por ano. O verdadeiro centro da vida cristã não era o missionário, mas a própria comunidade, com seus dirigentes e catequistas como vínculo principal.

Principalmente no século XVIII e começo de século XIX, estas comunidades se transformaram em pequenos, mas sólidos, centros de transmissão da fé e de prática cristã. Por causa da falta de missionários e de presbíteros, os membros da comunidade – por exemplo, os catequistas, as virgens e outros guias leigos – assumiam o controle de tudo, desde a administração financeira às práticas rituais, passando pela direção das orações cantadas e pela administração dos batismos.

domingo, 2 de outubro de 2016

Aprovação dada Pelos Papas

Gregório XIII, chamou a Congregação Mariana de Escola de virtudes, deu-lhe existência canônica pela bula: " imnipotens" ( 5 de dezembro de 1584), concedeu-lhe muitas indulgências e o direito de agregar, para delas participarem, quantas no futuro se erigissem, não só para estudantes mas para todas as classes de fiéis.

Sixto V, Clemente VIII e Gregório XV confirmaram as mesmas graças e privilégios, permitindo que se fundassem Congregações por toda a parte, em 24 de abril de 1748, o Papa Bento XIV além de confirmar as graças concedidas por seus antecessores e, tecendo grandes elogios as Congregações, outorgou à Prima- Primária outros poderes diz ele: " É incrível a grande utilidade, que para os homens de todas as condições, resulta desta louvável e piedosa instituição. Uns seguindo desde a mais tenra idade, sob a proteção da Virgem Maria, o caminho da inocência e da piedade, conservaram até o fim um proceder irrepreensível, digno de um discípulo de Jesus Cristo e de um servo de Maria, merecendo tão Santa vida e a coroa da perseverança final. Outros afastando-se da vida pecaminosa que miseravelmente os dominava e desviando-se da estrada da iniquidade e da perdição que tinham encetado, alcançaramm por intercessão da Mãe de Misericórdia, uma sincera conversão; e levando uma vida inteiramente cristã, ajudada pela constante assiduidade às piedosas reuniões, perseveram desta maneira, por toda a vida.
Outros, finalmente, abrigando em seu coração, desde a infância, uma devoção afetuosa para com a Mãe divina e, abandonando generosamente os fementidos prazeres e os bens transitórios do mundo, foram buscar na vida religiosa um estado mais santo e mais seguro, onde, pregados na Cruz de Cristo pelos votos, dedicaram-se unicamente à santificação das suas almas e à salvação do próximo. Por tudo isto, facilmente se compreende quão sábio e divinamente inspirado foi o proceder dos pontífices, nossos predecessores, que desde o princípio, tomaram uma especial proteção da Santa Sé às Congregações Marianas......" 

(Texto extraído do Manual do Congregado Mariano, edição de 1948)

sábado, 24 de setembro de 2016

A Confissão do Congregado

Alexandre Martins, cm.


A recepção dos Sacramentos pelos Congregados marianos não é diferente dos demais católicos, apenas deve o Congregado ser mais dedicado e fiel do que os demais. O que não é pouca coisa.
Em 1563 o jesuíta Pe. João Leunis reunia os melhores alunos do Colégio Romano da Companhia de Jesus para os exercícios de piedade na primeira Congregação Mariana. Desde 1541 existiam confrarias de leigos que continham em suas regras o dever de se reformar a si mesmo diariamente, dando bom exemplo e procurando a edificação do próximo, confessando e comungando cada 15 dias, visitando e servindo aos pobres nos hospitais e assistindo reuniões no colégio. Desde 1470, as Confrarias do Rosário criadas pelos dominicanos regulavam para seus membros a confissão semanal e comunhão mensal além dos dias de Festa litúrgicas da Virgem e de Jesus. Fomentava-se a oração, em especial o terço, e o mínimo de meditação diária, uso do cilício e até a flagelação em público ou em particular e a reunião semanal. Ao mesmo tempo, a vida pública dos membros era cuidadosamente regulada. Não era novidade para os Congregados marianos a rigidez de uma Regra, mas para eles se revestia de um caráter mais incisivo.
O Sacramento da Penitência - ou simplesmente, “a Confissão” - é um momento em que o Congregado mariano deve ver como uma nova oportunidade de emenda de vida e/ou de aprimoramento da vida em busca da santidade. E tem a sua própria História para dar testemunho. Como diz a Regra 21:
“É recomendável que cada Congregado Mariano tenha um confessor certo e "a ele manifeste, com toda sinceridade, o estado de sua consciência e por ele se deixe guiar e dirigir em tudo que respeita à vida espiritual", e se aproxime frequentemente da Confissão Sacramental e, ao menos uma vez ao ano, por ocasião do Retiro Espiritual, faça a Confissão Geral.” 1

A frequência à Confissão

Há sacerdotes que indicam a Confissão somente pela Páscoa, ou , quando muito, apenas uma vez ao mês. Mas isso não se aplica aos Congregados. Para um bom Congregado mariano a frequência deve ser semanal. E isso, claro, se não há consciência de pecado mortal. Neste caso, deve-se procurar o sacerdote o quanto antes. Não se trata de - como dizem alguns, com suposto zelo - “tratar o sacramento como lata de lixo” ou de usar do sacramento coo algo sem critério. O congregado vê nessa procura frequente uma forma de ficar o menor tempo possível em pecado mortal.
Como nos lembra o pe. Américo Maia, SJ:
“A imaginação, potência errante (vagabunda), por excelência, deve ser dominada. Importância considerável é a gravidade incalculável de um ato como a confissão. Ser Congregado é saber confessar-se. Da imaginação dominada ao espírito de análise aplicado ao conhecimento de si mesmo, é uma linha diretriz que quer fazer do devoto "um homem interior". Num processo de transformação que modifica o homem radicalmente, o corpo tem seu lugar: atos de penitência e mortificação física, procissões e a romaria, em especial. Pureza pessoal em relação aos outros e nos outros. 'O mal que ameaça a Cidade de Deus, após o pecado original, é a sexualidade compreendida como o sinal da presença demoníaca no homem. A alma pertence a Deus mas o corpo ao demônio. Então, a vida cristã reduz-se a uma única palavra de ordem: a fuga do pecado e uma guarda feroz da castidade. "2

Sabe ele que o pecado mortal tem esse nome porque mata a vida da Graça em nossa alma. Não é à toa que a cor dos paramentos no Sacramento da Penitência é a mesma que nas Exéquias... O Congregado, portanto, não deseja andar pelo mundo como um morto, como um zumbi. Um verdadeiro filho de Maria não pode dar desgosto a sua amantíssima Mãe.
O critério para essa frequência à Penitência se dá pela ação do Exame de Consciência diário. É nesse momento que as faltas pessoais se tornam relevantes e os pecados mortais aparecem como caroços indigestos num mingau. Se vê então a necessidade de Confissão sacramental.

Os tipos de padre

A busca de um sacerdote piedoso pode ser difícil em alguns lugares, por vários motivos. Mas deve-se sempre compreender os três tipos básicos de sacerdotes para confissão:

a) O sacerdote que atende uma confissão apenas pelo fato de ser sacerdote. Neste caso, qualquer um pode ser procurado pelo Congregado, em qualquer, lugar, a qualquer hora.
b) O sacerdote que é o confessor do Congregado. É aquele escolhido pelo Congregado para receber sua Confissão frequente. Essa escolha se dá por uma certa afinidade ou compreensão entre ambos. As Regras da Congregação indicam um “confessor fixo”: é este o caso.
      1. O Diretor Espiritual. Não se engane: o Diretor Espiritual é um sacerdote com vocação específica para isso. E nem todos a possuem. Devemos pedir a Deus que nos coloque no caminho um sacerdote “douto e santo” - como s. Teresa D'Ávila indicou como características de um real Diretor espiritual.

Como confessar

Conseguido o sacerdote, deve o Congregado, lembrando a citada Regra 21, se confessar “como Congregado”. Algumas atitudes são uteis para demonstrar ao sacerdote, caso esta não nos conheça, com quem está lidando, para que a Confissão possa ter mais fruto. Muitos sacerdotes nada sabem da existência dos Congregados e muitos não acreditam que sejamos diferentes dos demais devotos marianos. Lembre-se que um Congregado mariano é o católico que sabe como se confessar.
Primeiramente, avise que é um Congregado mariano e frequenta assiduamente as reuniões da Congregação: Logo, ao se apresentar ao confessor, diga-lhe: "Abençoa-me ó padre, porque pequei". O sacerdote lhe responde: "O Senhor esteja no seu coração e nos seus lábios para que possa confessar os seus pecados" Logo depois dirás: "Faz ... (semanas, meses, anos) que não me confesso". Alguns acrescentam (e é um excelente hábito) a qual associação pertencem: "Faço parte da Renovação Carismática, pertenço ao Movimento dos Focolares, aos Catecúmenos, sou escoteiro, pertenço à Congregação Mariana, à Irmandade do Sagrado Coração de Jesus...". Agora acuse todos os seus pecados, sem precipitação, sem medo, de maneira que se faça entender. É inútil enganar o sacerdote: não se pode enganar a Deus. 3
Segundo, confesse seus pecados dos mais graves aos menores, usando a lista mental que foi descoberta em seu Exame de Consciência.
Terceiro, acuse também alguma falta do caráter pessoal ou de temperamento.
Escute com atenção as admoestações do sacerdote e cumpra o mais rápido possível a Penitência dada. Para um soldado, ordem dada é ordem cumprida. Para um Congregado, soldado de Maria, a penitência deve ser cumprida ainda com amor e disposição. Lembre-se que “arrepender-se é próprio dos santos”.4

Frequência dos santos

Na História da Congregações marianas existem vários relatos da Confissão frequente. São esses fatos, vividos por santos Congregados, que devemos imitar e com os quais refutaremos as criticas daqueles que nos criticam por nos confessarmos “a toda hora”, de sermos “Puritanos”, de “abusar do Sacramento”, etc.
São Luiz de Gonzaga, padroeiro da Juventude, Congregado mariano em Reims, confessava-se todos os dias antes da Missa e Comunhão diárias.
São Vicente de Paula, Congregado na Itália, confessava-se duas vezes por semana.
São Felipe Néri, Congregado italiano, confessava-se um dia sim e outro não, e o mesmo queria que fizessem os seus religiosos.
Os Congregados marianos S. Vicente Ferrer, S. Carlos Borromeu, S. André Avelino e muitos outros se confessavam diariamente.
São Leonardo de Porto Maurício, o infatigável apóstolo italiano e fundador de várias Congregações Marianas, depois de ter tido o belo hábito de se confessar diariamente com constância, chegando aos quarenta e dois anos, pensou em duplicar a dose e escreveu no seu regulamento particular: "De agora em diante confessar-me-ei duas vezes por dia, para aumentar a graça que espero tornar maior com uma única confissão do que com muitas boas obras, de qualquer espécie".

Conclusão

A vida sacramental é uma das bases do bom Congregado mariano. E é essa frequência piedosa a eles que deram exemplo a outros católicos, influenciando positivamente a vida da Igreja. Se quisermos reformas no laicato e, até mesmo, no Clero, esse é o caminho mais eficaz.
Como nos ensina s. Teresa de Calcutá, Congregada mariana missionária:
A confissão é um ato magnífico, um ato de grande amor. Só aí podemos entregar-nos enquanto pecadores, portadores de pecado, e só da confissão podemos sair como pecadores perdoados, sem pecado. A confissão nunca é mais do que humildade em ação. Dantes chamávamos-lhe penitência mas trata-se na verdade de um sacramento de amor, do sacramento do perdão. Quando se abre uma brecha entre mim e Cristo, quando o meu amor faz uma fissura, qualquer coisa pode vir preencher essa falha. A confissão é esse momento em que eu permito a Cristo suprimir de mim tudo o que divide, tudo o que destrói. A realidade dos meus pecados deve vir primeiro. Quase todos nós corremos o perigo de nos esquecermos de que somos pecadores e de que nos devemos apresentar à confissão como tais. Devemos dirigir-nos a Deus para Lhe dizer quão pesarosos estamos de tudo o que possamos ter feito que O tenha magoado. O confessionário não é um local para conversas banais ou para tagarelices. Aí preside um único tema – os meus pecados, o meu arrependimento, como vencer as minhas tentações, como praticar a virtude, como crescer no amor a Deus.”5

Nossa Senhora dos Penitentes, rogai por nós!
 


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1- veja também as Regras Comuns das Congregações Marianas 36, 37 e 39.
2- Reyn., Geneviève. "Convents de Femmes (La Vie des Religieuses Cloitrées dans la Fran. das XVII et XVIII siécles). Fayard, Paris, 1987, pág. 125. citado por pe. Pedro Américo Maia, SJ, in “História das congregações Marianas no Brasil”, Edições Loyola, São Paulo , SP, 1992.
3- pe. Eugenio Maria Pirovano,FDJ in “Exame de Consciência: Preparação para o Sacramento da Penitência”, Ed. Loyola, 5ª edição, 2005, pág 11
4- “Pecar é comum a todos os homens, mas arrepender-se é próprio dos Santos”. s. Ambrósio de Milão in “Apologia David ad Theodosium Augustum”, II 5-6

5- in "Não há maior amor" (a partir da trad. de Il n'y a pas de plus grand amour, Lattès 1997, pág. 116)

domingo, 10 de julho de 2016

A Formação da Ação

Alexandre Martins, cm

As Congregações Marianas são tradicionais no apostolado e essa ação fomenta a formação que se propõem a dar a seus membros. É uma atitude retroalimentada: a ação urge da formação enquanto a própria formação impele à ação.

Mais que uma escola, um exército

Um equivoco bem comum, infelizmente, é ver uma Congregação Mariana como somente uma escola - um local aonde apenas se obtêm formação espiritual - e que a ação, o apostolado ou a caridade sejam atitudes que são relegadas a outras associações ou pastorais, ou mesmo somente ao foro pessoal de cada Congregado. Diz o papa Bento XV: “não basta haver dado o nome a uma Congregação, posto sobre os auspícios da Virgem, para merecer o qualificação de “verdadeiros congregados marianos”.1
Embora possa acontecer isso, sem muito prejuízo para a Congregação Mariana como um todo, a forma clássica das Congregações Marianas é que as obras apostólicas – e mesmo as sociais e caritativas - sejam fomentadas ou “capitaneadas” pelos Congregados nos locais aonde estejam. “Quem dá o nome às Congregações Marianas, não somente professa tender a um crescimento individual na virtude, senão também querer ocupar-se no bem do próximo; e assim o avanço espiritual como o zelo pelo bem dos outros ponha-os sobre o maternal patrocínio da Santíssima Virgem.”2
Essa atitude de primazia nunca deve ser entendida como alguma manifestação de vaidade ou orgulho, mas como uma forma clássica da formação pessoal apostólica e humana do Congregado. É um “estilo de ser”. Somos uma elite e, como os antigos reis que saíam à frente de seus exércitos, temos a atitude primeira. Lembra-nos o papa Pio XI:“quando, unidos a vós e a vosso clero, trabalham em público e particularmente para que Jesus Cristo seja conhecido e amado, é quando sobretudo merecem ser chamados linhagem escolhida, sacerdócio real, nação santa, povo resgatado.”3

A formação fomenta a ação

Somente uma reunião ordinária da Congregação Mariana não proporciona ao Congregado aquela formação que se preconiza a um “católico com sinal mais”. Isso é comprovado. Por melhor e mais bem preparada que seja a palestra e também as meditações, a formação só se completará a contento quando for experimentada na prática. Por exemplo, não basta uma palestra sobre caridade se a associação não fomenta uma distribuição de brinquedos às crianças pobres no Natal. “As Congregações Marianas (devem) claramente promover nos fiéis a maior perfeição espiritual e também mais eficaz espírito de zelo para o bem do próximo.”4
Em alguns grupos católicos dá-se a essa ação o nome de “gesto concreto”. Embora com outros nomes essa atitude é uma herança das Congregações Marianas, uma contribuição sua à Igreja, sendo usada por varias pastorais, mesmo que estas não saibam dar o devido crédito.

Os benefícios para toda a vida

Como exemplo de que forma o apostolado e as atividades praticadas na Congregação Mariana podem ajudar na formação do Congregado, podemos listar:
  • O espírito de união – todas as atividades das Congregação Mariana pressupõem um grupo de Congregados mesmo sendo um grupo grande ou pequeno. Isso fomenta o espirito de colaboração entre pessoas e, mais ainda, pessoas cristãs. “Lhes desejamos recomendada com muito encarecimento a fraterna caridade, para que a guardem e exercitem continuamente, não somente com os demais congregados, senão também com todos os fiéis cristãos e, praticando assim sem cessar obras de piedade e misericórdia”.5
  • O modo de obedecer – não se trata apenas de “ser obediente”, mas sim de “como exercitar essa obediência”. Não obedecer como um escravo ou um empregado assalariado, mas obedecer como um vassalo livre e fiel a seu rei, como uma filha que ama a seu pai. “uma total submissão e obediência, aquela tão recomendada, e para seu bem espiritual”6
  • O sentido de disciplina – saber obedecer a alguém também é obedecer aos que foram colocados por essa pessoa a nos orientar. Um grupo tem um líder, que foi nomeado por alguém acima dele. A disciplina nos ensina que cada pessoa tem uma função e que cada um deve exercê-la corretamente para o bem de todos. “Não recusem obedecer com pronta e animada vontade aos mandamentos e conselhos dos particulares diretores designados em todas as coisas que pertencem ao estado e governo das mesmas Congregações.7
  • O sentido de ordem – as Congregações Marianas costumam agir com organização quase militar. É tradicional nelas e também seu carisma. Uma herança jesuíta. A ordenação é querida pelo próprio Deus e é um complemento da disciplina. Somos um “esquadrão em ordem de batalha sob a autoridade e obediência dos pastores da Igreja, não só em virtude da fervorosa e incondicional sujeição a Sé Apostólica, mas também pela humilde e dócil submissão às ordens e conselhos dos Ordinários.” 8
  • O “sentir-se Igreja” - no apostolado o Congregado se sente com um “embaixador” da Igreja em certos ambientes e isso o ensina como agir com responsabilidade cristã também em outros momentos da sua vida. “Levem uma vida digna de seu nome de cristãos e própria de um congregado que se tem consagrado à Virgem.” 9

Ajuda no “discernimento dos espíritos”

São vários os ensinamentos práticos que a ação apostólica ou social das Congregações Marianas pode proporcionar aos Congregados. A Lista é maior. “Que congregado poderia dizer-se que mostra o suficiente zelo pelo bem do próximo, se não concorre, como poderia, ao ensinamento do Catecismo na paróquia, se não visita aos enfermos ou presos, se não favorece do modo que possa, as obras de caridade sugeridas pela diferentes circunstâncias dos tempos e do lugares?”10
Para os Diretores, é também um campo de prova para os candidatos à Consagração. É no seu desempenho nestas obras externas que se pode medir o desprendimento, doação de sim mesmo e as retas intenções dos aspirantes e candidatos. Numa palavra, se o espirito da pessoa será o indicado para a Congregação, se é realmente o seu caminho.
Que possamos entender corretamente a dupla missão das Congregações Marianas na busca da santidade de seus membros transformação do Mundo à Luz do Evangelho usando das obras de ação.
Admoesta o papa Bento XV, mais um dos papas Congregados marianos:
Que proveito tão grande reportara para a família cristã, se os membros dela atendessem, como devem os congregados, à própria santificação e ao bem do próximo ! Não há quem não veja quanto se facilitaria a finalidade da sociedade, tanto religiosa como civil.”11

Santa Maria, Rainha dos Apóstolos, rogai por nós!


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1 - papa Bento XV - Discurso no 40º Aniversário de seu Ingresso na Congregação Mariana - 9 de dezembro de 1915
2- ibid nota 1
3- papa Pio XI - Encíclica “Ubi Arcano” - 23 de dezembro de 1922
4- ibid Nota 1
5- papa Bento XIV - Bula Áurea “Gloriosae Dominae” - 27 de setembro de 1748
6- ibid Nota 5
7- ibid Nota 5
8- papa Pio XII – Constituição Apostólica “Bis Saecularii” sobre as Congregações Marianas - 27 de setembro de 1948
9- ibid Nota 5
10- ibid Nota 1


11- ibid Nota 1