sábado, 13 de janeiro de 2018

Meditação para o 2° Domingo após a Epifania

Pe João Mendes SJ

         A presença de Cristo nas Bodas de Caná é comovedora de condescendência humana. Fala-nos a história de muitos casos de Príncipes e grandes que honraram com sua presença as bodas dos servos. Mas que venham Deus e sua Mãe a tomar parte nas alegrias festivas do amor humano ... louvada seja a sua bondade.
       Que íntimo sentimento de carinho fraterno, o do Coração de Jesus, trazendo a sua sagrada presença de Filho da Família Divina ao banquete da família humana. Porque terá ido o Verbo Encarnado ao humilde festim de um casamento?

1. A TRINDADE

      Eis o grande mistério: Deus é Família! Afirmação esta podia causar-nos estranheza. Então, a vida íntima e exclusiva de Deus é parecida com a nossa? Sim, é Verdade. Mas a pergunta admirada devia fazer-se em sentido inverso: como é que o Senhor consentiu que a nossa vida fosse parecida com a sua?
     Por Deus ser família é que nós, imagem sua, também somos. E Cristo vem de muito alto, de um abismo divino de pureza e de harmonia, para a pobre lareira esmorecida da nossa casa humana. Na Trindade, tudo é conhecimento, geração e amor, na Luz e na Santidade infinitas. Que vida de familia e que lar, onde Três pessoas distintas vivem da mesma natureza, infinitamente perfeita e infinitamente feliz! Que união, que intimidade, e que amor!..

2. EM NAZARÉ

     O Verbo Encarnado nasceu numa família. Quando a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade encarnou, podia ter aparecido entre nós, como homem adulto, sem as dependências, fraquezas e humilhações das crianças. Mas nasceu numa família, e a sua união com a natureza humana realizou-se num seio materno e num lar humano.
     Essa família, a Sagrada Família por antonomásia, como mais perfeita imagem da Trindade, foi uma família virginal, onde Cristo, virgem nasceu duma Virgem, desposada com esposo Virgem. Foi tudo espiritual e santo no nascimento do Verbo Encarnado.
     Mas apesar da santidade dos seus pais na terra, como eles eram, no entanto, pálida imagem da Vida Trinitária! Nosso Senhor Jesus Cristo é, assim, o traço de união entre a Família de Deus e a Família do homem.


3. EM CANÁ

     O Verbo Encarnado abençoa a família. A presença de Cristo, em Caná da Galiléia, mais que condescendência, é aprovação. O Verbo Encarnado vem honrar e dignificar a família humana. Vem trazer a Bênção de Deus ao que é sombra imperfeita dos esplendores da Trindade; vem purificar e sagrar um fogo doméstico, centelha do amor divino, que as paixões dos homens facilmente deixarão corromper e abafar nas cinzas do egoísmo.
     E levou o Senhor a sua simpatia compassiva a concorrer para a festa com o vinho miraculoso, símbolo da alegria sensível. Ele que gozava da alegria sem sombras, e do vinho, tão ovo e tão antigo, da Divindade felicíssima. Foi o Primeiro milagre do Messias. Como os seus olhos pousariam, com amor e indulgência, no júbilo dos dois esposos! Enquanto Deus, sabia muito bem o que era o amor e a família por essência; como homem, nascido entre homens, fazia que os sentimentos divinos, no seu coração de carne, se transformassem numa infinita condescendência.
     E desde então, desde que o Próprio Deus assistiu às Bodas do amor das suas criaturas, é que o casamento e a família se transfiguraram num mistério divino, e virão a ser um Sacramento ou fonte de graça.

CONCLUSÃO

     O Matrimônio é imagem da Trindade. O Verbo é a imagem perfeita do Pai; e do amor mútuo de ambos, procede o Espírito Santo, o Dom, o Amor personificado. Também na família humana, a esposa é o ideal, em que se revê o esposo; e do amor de ambos, tão alto que se desdobra m novos filhos de Deus, procede o dom supremo dos filhos, que são o amor personificado dos pais. Não há família perfeitamente constituída sem estes elementos.
     O Matrimônio é fonte de vida Trinitária. É que, a base da família, está a Nova Lei, um Sacramento. E o Sacramento é um sinal eficaz de graça, e a graça é uma comunicação de vida Divina. O matrimônio é , pois, coisa tão santa que espalha, na família, a mesma vida familiar de Deus, a sua vida Trinitária. E assim temos como lar cristão é já a imagem da Trindade, e mais que imagem, pequena célula divina da Jerusalém Celeste que é o corpo dos bem-aventurados. Como não há de a Igreja defender, ciosamente, a santidade e a indissolubilidade da família !!!


Sagrada Família de Nazaré guardai as nossas famílias !!!

Congregações, Celeiros, Chuva e Vocações‏

Alexandre Martins, cm.

“Celeiro de Vocações” é um dos apelidos das Congregações Marianas por vários papas e que demonstra a utilidade destas associações em fomentar e proporcionar à Igreja suas vocações sacerdotais.
Exemplos não faltam: desde proporcionar o aumento das fileiras da Companhia de Jesus até ser o embrião de novos conventos, como o clássico exemplo de Madre Teresa de Calcutá que, com companheiras de sua Congregação Mariana na sua Albânia natal, foram o primeiro grupo das Missionárias da Caridade.

A atualidade da formação para o vocacionado

 

Nos tempos atuais, as Congregações Marianas tornaram-se um importante instrumento de orientação vocacional. Por mais que o apostolado leigo tenha se desenvolvido e tomado formas, o estilo de formação espiritual do Congregado ainda é muito útil às novas gerações de vocacionados. “A atualidade dessa espiritualidade é importante para o mundo atual, e sua regra de vida conduz a pessoa na Escola da Santidade.” afirma1 D. Orani Tempesta, Cardeal Arcebispo do Rio de Janeiro (RJ).
As atividades espirituais comuns das Congregações Marianas produzem na alma vocacionada o gosto crescente das coisas do alto. É a partir dessas “janelas para o Céu” que o vocacionado sente crescer seu amor pelo serviço do altar ou pelo convento em uma vida recolhida. Os que não são chamados à vida religiosa apenas sentem manter em seus corações a chama da piedade e o apelo à conversão, mas não o crescimento do amor de Deus até à paixão como a alma vocacionada. É uma boa oportunidade de discernir entre um apenas “bom Congregado” e uma futura vocação religiosa. Quantos enganos não seriam evitados se algumas Congregações Marianas tivessem mais atividades espirituais frequentes e profundas!

A Direção Espiritual do Congregado como fundamento do discernimento vocacional

 

A Direção Espiritual é uma prática comum a toda a Igreja. É algo dos primórdios do Cristianismo e uma pratica naturalmente oriental. Busca sempre conselho junto ao sábio” (Tob 4,19). No Oriente, é tradicional e comum a relação “mestre e discípulo” era fundamental em qualquer filosofia2 e absolutamente necessária em qualquer religião. Nas Congregações Marianas desde as primeiras regras3 insiste-se que o Congregado tenha um diretor espiritual. Os benefícios são imenso e, se para os jovens são utilíssimos, para os adultos também são necessários. Em toda a vida do Congregado a presença de um Diretor Espiritual4 deve permanecer.
Não se entende o discernimento vocacional em uma alma sem diretor espiritual. Embora nem todos os sacerdotes – confessores em sua essência – tenham vocação para uma correta e frutuosa direção espiritual, a uma alma vocacionada o diretor espiritual é imprescindível.“E que grande coisa é, filhas, um maestro sábio, temeroso, que prevê os perigos. É todo o bem que uma alma espiritual pode desejar, porque é grande segurança. Não poderia encarecer com palavras o que isto importa”.5 Podemos ate dizer, sem medo de errar, que um vocacionado sem um diretor espiritual não é um vocacionado de verdade. Afirma s. João Paulo II: “para poder descobrir a vontade concreta do Senhor sobre a nossa vida, são sempre indispensáveis (…) a referência a uma sábia e amorosa direção espiritual”.6
De fato, quantos procuram a vida religiosa como um escape do mundo, com uma forma de fugir dos naturais compromissos seculares como o trabalho assalariado, o progresso no estudo e uma família e filhos? Quantos querem “fazer carreira” na Igreja, como se ela fosse um empresa multinacional ou uma ONG? E isso é tão frequente em nossos dias que mereceu um pronunciamento especial do papa Francisco: ““E quando a Igreja quer se vangloriar da sua quantidade e cria organizações, escritórios e se torna um pouco burocrática, a Igreja perde a sua principal substância, e corre o perigo de se transformar numa organização não-governamental, numa ong. E a Igreja não é uma ong. É uma história de amor ... Os escritórios são necessários, mas até um certo ponto: o importante é como ajudo esta história de amor. Mas quando a organização fica em primeiro lugar, o amor desaparece e a Igreja, coitada, se torna uma ong. E este não é o caminho”.7
Acreditamos que, para o coração honesto e amoroso de Deus, a Direção Espiritual serviria para um correto discernimento vocacional.

Regras seguidas antes e depois do chamado vocacional

 

A disciplina e hierarquia tradicionais nas Congregações Marianas servem para educar a alma vocacionada a compreender sua vida religiosa futura.”nos congregados de Maria, esta como que ingênita "reverência e humilde submissão aos pastores sagrados" brota necessariamente das suas próprias regras”, afirma o papa Pio XII.8
Cada ordem ou comunidade religiosa possui sua própria regra. Todos os que ingressam em alguma delas tem conhecimento das regras ou estatutos e prometem segui-los amorosa e filialmente. A um Congregado mariano, que por bom tempo leu, aprendeu e seguiu a Regra das Congregações Marianas torna-se mais fácil seguir a regra da ordem religiosa à qual ingressa.
A hierarquia das Congregações Marianas não é seguida sob pena de pecado, mas pela consciência de que uma casa deve estar arrumada e que a organização leva à eficiência e ao sucesso. Obedecer à hierarquia é, para um bom Congregado, algo natural e espontâneo. Os votos de obediência, tanto na vida religiosa quanto sacerdotal, são naturais para o Congregado habituado à vida na hierarquia da Congregação Mariana.

Sem preocupação com o futuro das vocações

 

A priori, não é necessário que uma Congregação Mariana se preocupe com “jornadas vocacionais” ou atividades do gênero, tão em moda em algumas dioceses para o recrutamento de vocações sacerdotais se religiosas. Como dito acima, uma vida de Congregação Mariana levada a sério naturalmente conduz ao discernimento vocacional. Lembremos que, quando as Congregações Marianas eram chamada de “celeiros de vocações” não haviam os encontros vocacionais diocesanos e nem as comemorações do Mês das Vocações Sacerdotais e Religiosas.
Será que a Igreja criou essas atividades porque as Congregações Marianas deixaram de ser fornecedoras de vocações? É algo a se pensar.
Os sacerdotes que se preocupam com o declínio das vocações sacerdotais deveriam por sua vez fomentar a vida espiritual das Congregações Marianas e ver nelas um terreno fértil de vocacionados.
As Congregações Marianas sempre foram e sempre serão celeiros de vocações. Basta ser a regra cumprida e a piedade dos Congregados aumenta. As vocações irão surgir como capim no solo depois da chuva.
Santa Maria, rainha dos vocacionados, rogai por nós!



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1- Mensagem pelo Dia Nacional do Congregado Mariano 2013, disponível em http://www.cnbb.org.br/articulistas/dom-orani-joao-tempesta/9336-avante-congregados-marianos, visitado em 17/1/15

2- Uma relação mestre-discípulo que incluia não somente a transmissão de idéias, pensamentos e conceitos por meio da palavra, mais também que além do mais a presença exemplar do mestre, exercia uma grande influência sobre o discípulo. Considerados como mestres de vida, não só transmitiam conceitos teóricos, senão que sua instrução abarcava todos os aspectos da vida e do comportamento moral. E o discípulo? Ele era o aprendiz. Dele se esperava a vontade de aprender, assimilar e modelar-se conforme uma doutrina e estilo de vida. Esperava-se uma atitude de abertura de consciência, de confiança e de disponibilidade com relação ao seu maestro.O modelo do mestre é Jesus: “Voltando-se Jesus e vendo que o seguiam, perguntou-lhes: Que procurais? Disseram-lhe: Rabi (que quer dizer Mestre), onde moras? Vinde e vede, respondeu-lhes ele. Foram aonde ele morava e ficaram com ele aquele dia. Era cerca da hora décima”. ( Jo 1,38-40) – Guadalupe Magana, disponível em es.catholic.net, visita em 17/1/15

3- Regras Comuns, 36; Bis Saecularii,4; Regra de Vida 12,a,4.

4- São Inácio de Loyola, influenciou decisivamente sobre a direção espiritual dado que ela representava a coluna vertebral durante os Exercícios Espirituais. É necessário para Exercício Espirituais: - discernir as disposições pessoais do exercitante; suas emoções internas; ajudá-lo em suas dificuldades; dispôr conforme a elas a matéria dos puntos para meditar; e ajudar a abrir sua alma a voz de Deus, máxima ao realizar a eleição o reforma de vida, respeitando sempre a liberdade do exercitante. Neste contato pessoal, tanto o exercitador como o exercitante devem mostrar-se dóceis às moções do Espírito Santo: afinal o exercitador se lhe concede um carisma especial pelo que desempenha eficazmente seu ofício para ajudar o exercitante; e a este se comunicam as luzes e graças adequadas à situação de sua lama através do exercitador: para fazê-lo caminhar pela via da fé, da humildade, da simplicidade do espírito. Finalmente, por tanto, coloquio na fé. – Guadalupe Magana, disponível em es.catholic.net, visita em 17/1/15

5- S. Teresa de Jesús, Obras Completas. Ed Aguilar, Madrid, Camino de Perfección. N. XXXVII, p. 369.

6- in, Christifideles Laici, n 58, p. 175.

7- papa Francisco em homilia na Missa com funcionários do Instituto de Obras da Religião, Casa Santa Marta, Vaticano, 24/4/2013 24


8- Bis Saecularii, 11.

sábado, 11 de novembro de 2017

Transmissão da 44° Assembleia Nacional da Congregações Marianas do Brasil

Como acontece todos os anos a Congregação Mariana Nossa Senhora Auxiliadora realizará a Transmissão Ao vivo da 44° Assembleia Nacional das Congregações Marianas do Brasil diretamente de Aparecida-SP. A transmissão pode ser acompanhada pelo nosso canal do Youtube e pelos links abaixo:


                                                                  Missa de Abertura


Primeira Parte




Segunda Parte




domingo, 29 de outubro de 2017

Discurso de Encerramento do Congresso do Cristo Redentor

Cardeal Dom Sebastião Leme da Silveira Cintra.
Domingo 11 de outubro de 1931
Igreja de São Francisco de Paula, Rio de Janeiro

Ao legado de Sua Santidade o papa Pio XI, o Cardeal Arcebispo do Rio, cabe-lhe a honra insigne de encerrar o Congresso de Cristo Redentor e não o fará em discurso mas sim em palavras simples.
O representante do Santo Padre deve antes de tudo agradecer as palavras de carinho e amor que neste congresso foram proferidas.
Nas horas de tribulações, nas horas em que cravejam de angústia e dor o papa, quando não faltam renegados que insuflam a plebe amotinada a queimar conventos e asilos, quando um país há no mundo em que chegam a arregimentar um verdadeiro exército para uma guerra de extermínio ao nome de Deus, deve a pessoa do papa chegar a consoladora notícia de que, nas outras bandas do mar, existe um povo que faz questão de ser fiel a Cristo Rei, fiel à Santa Igreja, fiel ao soberano pontífice.
Nós queremos que ele Reine sobre o Brasil. E Cristo reinará! É o que o legado vai dizer ao papa, que lhe deu uma missão de amor e de benção.
Nas horas tristes, dirá ao papa que contempla a nossa Guanabara, o nosso Corcovado. O papa dirá então: " que lindo trono para o Cristo Redentor". E o cardeal legado dirá: " existe outro trono mais antigo e mais resistente que o granito do Corcovado: é o trono da Eucaristia, o trono da adoração perpétua".
O legado do sumo pontífice quer saudar hoje, e pede a seus filhos espirituais uma braçada de flores, uma explosão de aplausos, para o Episcopado nacional, grato pelo muito que fizeram os bispos, grato pelo que fizeram em prol do monumento, pelo brilho nunca dantes visto em outras solenidades. Podem todos imaginar como o coração se enche de emoção.

O representante do papa beija comovido as mãos que espalham esmolas da terra e do céu. Tem viva na retina e no coração a visão magnífica da hora santa em Santa Ana em que , os bispos, pareciam um colar de ametistas, que um anjo custódio tivesse como símbolo de amor e reparação para todo o povo brasileiro.
Tinha a impressão de que a legião dos bispos, nas horas presentes de guerras, formava uma força maior que a de todas as fortalezas. Amanhã eles irão sagrar a Cristo Rei do Brasil.
Os corações de nossos bispos serão a jóia mais preciosa para o diadema de Cristo Rei. Colocaram ao lado do trono duas bandeiras: a do papa e a da pátria e, por cima, a imagem do Salvador abraça num olhar carinhoso a todos: papa, bispos, povo brasileiro.
Mas se os homens persistirem na contumácia das competições políticas regionais e pessoais, tudo isto erá estraçalhando a unidade da pátria.
Senhor, eu não quero ser poeta lúgubre da morte da mais bela das pátrias! Senhor prefiro mil vezes sepultar os poucos anos que me restam a ver a infelicidade na pátria deste Brasil que é nosso!
Ó pátria, ajoelhe-se junto a Cruz do Redentor, junto á cruz onde nasceste grande e cresceste imensa. Brasil! Ò Pátria, conserva-te de joelhos diante de Cristo Redentor porque assim poderás apresentar-se de pé diante das outras nações, adorando um só Cristo Redentor.
Senhor! Aos pés do Cristo Redentor, Juremos fidelidade ao Brasil, à integridade da pátria. Agora compreendeis a elevação patriótica destas manifestações da pátria a Cristo Redentor.
Cristo vive, reina e impera!
Falta ainda completar estas palavras. Na praça de São Pedro, em Roma, existe um obelisco com essa inscrição e ainda argumento "et plebem suam ab omni malo defendant". O legado pontifício pede a aprovação de todos com aplausos para colocar no pedestal do Cristo Redentor a inscrição das palavras: "Cristo vence, Cristo Reina, Cristo impera, e contra todos os males defenda seu brasil"
Nunca o Brasil será vencido. Cristo vence, Cristo reina e porque reina a cruz nunca será humilhada ou desterrada da nossa pátria.
Para apagar a fé do Brasil seria preciso subir aos céus e apagar todas as estrelas. Seria necessário um terremoto ou maremoto que atingisse a Cristo no Corcovado, montanha escarpada que transformamos no trono perpétuo do Redentor. Seria preciso calcinar o granito do corcovado, o corcovado do coração.
Cristo impera, e na terra na qual  Cristo reina é preciso que todos se amem, é preciso que estale o beijo de toda a família brasileira.
Cristo impera, e o seu império é o imperio da paz, do amor e da misericórdia e do perdão. Aqui na terra enluarada pela visão branca do Cristo não há vencedores nem vencidos. Somos todos irmãos, filhos da mesma pátria, membros da mesma família.
Ao gesto amoroso de Cristo que abre os braços acolhedores a todos os brasileiros, sem distinção, deve responder o gesto patriótico do amplexo fraternal de todos os filhos e habitantes desta terra bendita.
Cristo vence ! E porque esta terra é sua, ela nunca será vencida pelo estrangeiro invasor, nem retalhada pela guerra civil.Seremos doce império em que não há lugar para tiranias. Nem a tirania de capitalismos vorazes, nem a tirania da demagogia sangrenta, nem a tirania dos potentados, nem a tirania do povo.

CRISTO VENCE, CRISTO REINA, CRISTO IMPERA, E CONTRA TODOS OS MALES DEFENDA O SEU BRASIL !!!

A mortificação, escada para subir ao Céu

As verdades que Cristo pregou do alto da montanha continuam válidas para hoje: fora da Cruz não existe outra escada por onde subir ao Céu.
Embora seja contraditória, tem atraído muitas pessoas a ideia de um Cristianismo sem sofrimento, sem penitências nem mortificações. Não se fala mais da necessidade de renunciar a si mesmo e tomar a própria Cruz [1], embora tenha sido o próprio Cristo a sublinhar tal obrigação. Não se ostenta mais a figura de Jesus Crucificado nas paredes de construções e nem mesmo nas igrejas, como se a constante lembrança das dores de Cristo fosse penosa ou até perigosa para as pessoas.
É, de fato, um ditado bastante repetido: “Falar só de dor e sofrimento afasta as pessoas da Igreja”. Mas, onde está a caridade daqueles que calam tais temas apenas para manter o número de fiéis? É certo que o homem moderno não quer ouvir falar dessas coisas – antes, prefere que adociquem sua boca com o mel das novidades e dos prazeres. Mas a religião católica tem que ver com as vontades e preferências do mundo ou, antes, com a vontade e o reinado de Deus? A fé cristã tem que ver com o que o homem deseja ou com o que o homem verdadeiramente precisa?
Rebate-se: “Mas, o homem precisa sofrer?” Na verdade, a pergunta está mal colocada. Não é que o ser humano precise sofrer; é que ele precisa amar. E, novamente – afinal, sempre convém repetir –, neste mundo, não é possível que sejamos privados de sofrer simplesmente porque não podemos ser dispensados de amar. Não é que a religião cristã seja “masoquista” ou cultue a dor; é que foi esse o meio que Cristo escolheu para amar-nos e é também o meio pelo qual nós devemos amá-Lo. “Deus, que te criou sem ti, não te salvará sem ti” [2], diz Santo Agostinho. Não basta que o sangue de Cristo tenha sido derramado por todos; é preciso que aproveitemos de Sua eficácia, associando a nossa liberdade à ação da graça divina.
Neste tema, adverte o padre Garrigou-Lagrange, é preciso evitar dois extremos perigosos: o primeiro, menos comum, é o rigorismo jansenista, que apregoa a prática de árduas mortificações sem considerar a razão para isso, como que numa tentativa de alcançar o Céu por forças puramente humanas. Com isso, perde-se de vista “o espírito da mortificação cristã, que não é soberba, senão amor de Deus” [3].
O segundo erro a ser evitado parece dominar o mundo de hoje: trata-se do naturalismo prático. Com os argumentos já apresentados acima, essa tendência reduz a fé cristã a um bom mocismo, ignorando – ou fingindo ignorar – as consequências do pecado original sobre o gênero humano.
Nessa brincadeira perigosa, nem as palavras de Jesus contam mais. O Cristo que adverte para arrancarmos de nós os olhos e as mãos, se são para nós ocasião de queda, porque “é melhor perderes um de teus membros do que todo o corpo ir para o inferno” [4]; o Cristo que pede que ofereçamos a face esquerda a quem bater em nossa direita, que entreguemos o nosso manto a quem nos tirar a túnica, que andemos dois quilômetros, ao invés de um só [5]; o Cristo que alerta para não jejuarmos “de rosto triste como os hipócritas” [6], “só para serdes notados” [7], é solenemente ignorado pelos naturalistas, que preferem fundar para si uma nova religião: a de um deus leniente com o pecado, com a indolência e com a preguiça espiritual.
É preciso deixar muito claro que não é possível construir um “novo” caminho diferente do que indicou Jesus e do que trilharam os Santos. “Mirabilis Deus in sanctis suis”, diz a Vulgata: “Deus é maravilhoso nos Seus santos” [8]. E eles não passaram por outra via senão a da mortificação. Como se explica, por exemplo, que uma Santa Catarina de Sena tenha começado tão cedo a flagelar-se e a fazer jejuns rigorosos [9]? Que, defender a sua pureza São Francisco se tenha revolvido na neve, São Bento se tenha jogado num silvado e São Bernardo tenha mergulhado num tanque gelado?
A chave para todas essas penitências é o amor, que não pode ser vivido neste mundo sem que crucifiquemos a nossa carne. Santo Afonso de Ligório ensina que “ou a alma subjuga o corpo, ou o corpo escraviza a alma”. São Bernardo respondia aos que zombavam dos penitentes do seguinte modo: “Somos em verdade cruéis para com o nosso corpo, afligindo-o com penitências; porém mais cruéis sois vós contra o vosso, satisfazendo a seus apetites nesta vida, pois assim o condenais juntamente com a vossa alma a padecer infinitamente mais na eternidade”.
Por que não se fala mais dessas coisas em nossas igrejas? Porque, infelizmente, quase nenhum espaço foi preservado desse maldito naturalismo, que pretende “inventar a roda” moldando um Cristianismo sem Cruz.
Para viver, é necessário mortificar-se, morrer mesmo, como o grão de trigo de que fala o Evangelho [11]. As verdades que Cristo pregou do alto da montanha continuam válidas para hoje e, como diz Santa Rosa de Lima, “fora da Cruz não existe outra escada para subir ao Céu”.
Por Equipe Christo Nihil Praeponere